O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve adiar o anúncio da revisão dos índices de produtividade rural, apesar das pressões do MST e...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve adiar o anúncio da revisão dos índices de produtividade rural, apesar das pressões do MST e da Igreja Católica. A data da revisão foi fixada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, em 15 dias, a partir do dia 18 de Agosto. O prazo venceu ontem e nada aconteceu.

“A idéia é ir empurrando com a barriga”, assegurou uma fonte do Palácio do Planalto, para quem “o presidente é sábio sobre o momento de decidir alguma coisa e o momento de não decidir absolutamente nada”.

A revisão dos dois índices de produtividade consta do programa de governo de Lula. Mas o assunto é potencialmente explosivo e gerou uma avalanche de críticas dos empresários do agronegócio. O temor é o de que, ao atualizar os índices, que podem dobrar em algumas regiões do Brasil, crie-se um clima de instabilidade e insegurança no campo por causa da pressão por terras do MST.

De acordo com a CNA, 400 mil propriedades rurais, a maioria no Sul e Sudeste, entrariam no alvo das invasões e ocupações do movimento. Com os preços dos grãos e das commodities agrícolas depreciados, os produtores rurais dizem que seriam obrigados a produzir prejuízos para se livrar do risco da desapropriação.

“Nós seríamos o único segmento da economia que não pode decidir sobre como e quanto produzir. Ninguém determina que uma indústria será desapropriada porque decidiu produzir menos em função das condições impostas pelo mercado”, diz Fábio Meirelles Filho, vice-presidente executivo da CNA.

O Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, deve se reunir com o presidente Lula na semana que vem para tratar do assunto. Ele se comprometeu com as entidades que representam os fazendeiros a levar a Lula os argumentos contrários à atualização dos índices de produtividade neste momento.

A carta na manga de Stephanes é um estudo, feito por técnicos de seu ministério, apontando uma queda drástica da produção física de alimentos em algumas regiões do país em que o número de assentamentos de sem-terra aumentou de forma expressiva nos últimos 15 anos (acompanhe no Blog, ainda hoje, a divulgação de dados desse levantamento) .

Quem viu o documento assegura que os dados são assustadores. A conclusão do levantamento é inequívoca. Ele demonstraria, de maneira cabal, que o MST não aplica nos assentamentos as regras que quer ver impostas aos fazendeiros pelo governo.

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