Soninha Francine foi a primeira vítima de um golpe baixo nesta campanha recém-começada. Foi desferido justamente pelo candidato profissional Levy Fidélix, aquele do Aerotrem....

Soninha Francine foi a primeira vítima de um golpe baixo nesta campanha recém-começada. Foi desferido justamente pelo candidato profissional Levy Fidélix, aquele do Aerotrem. Ao defender com clareza a descriminalização da maconha, foi criticada por supostamente fazer “apologia” do uso de drogas.

Não houve apologia coisa nenhuma. O que a candidata do PPS fez foi manifestar sua opinião de maneira coerente e corajosa, dentro dos limites do que o Supremo Tribunal Federal estabeleceu ao entender as marchas da maconha como um direito afeto à cidadania, circunscrito à liberdade de manifestação.

O Blog do Pannunzio defende a mesma posição. É preciso parar a hipocrisia segundo a qual usuários de drogas precisam ser tratados com cadeia. Se esta fosse a solução, o problema já teria sido sido resolvido em países como os Estados Unidos, cuja bilionária máquina repressiva não consegue impedir a venda e o consumo de drogas em qualquer esquina.

O fato é que o ambiente da campanha não favorece a sinceridade e a coerência quando temas-tabus são colocados na pauta de discussão e se transformam em fatos eleitorais. Candidatos costumam mudar até sua crença ou descrença em Deus, prometer o que não pretendem cumprir e a afirmar o que não pensam. Aí estão exemplos recentes: Fernando Henrique Cardoso, ateu de carteirinha, passou a dizer que acredita em Deus para se salvar da fogueira dos carolas. Dilma Rousseff decidiu condenar o aborto. E Lula, nunca é tarde lembrar, se elegeu sob a promessa de moralizar a política e acabar com a corrupção. Na política, o relativismo e a plasticidade são impressionantes. E isso desfavorece gente que tem as qualidade de Soninha Francine.

A exploração desse tema pela má-fé e pelo preconceito pode realmente criar embaraços para a candidata do PPS. O País ainda prefere acreditar na retórica dos falastrões a encarar suas próprias mazelas. Apesar disso, Soninha já cumpriu um papel fudamental: o de trazer para a luz a discussão do assunto.

Passou da hora de descriminalizar  o uso, a produção para o consumo individual e a comercialização da maconha. O que não é possível é ficar impassível diante da fogueira inquisitória que se pretende armar por quem, superando a espiral do silêncio, contribuiu com suas opiniões para um debate necessário.

 

Comentários

  • Ricardo Amaral

    22/08/2012 #1 Author

    Não acho que o Brasil esteja preparado para esse discussão enquanto levarmos 7 anos para julgar o mensalão, menores infratores não podem ser presos, não há sistema de controle para produção e venda dessas drogas e sequer um sistema de saúde que comporte o atendimento a viciados (que existem, conforme pesquisa recente do Renato Laranjeiras). Dito isso, concordo 100% com o dito acima: Soninha paga o preço de ser honesta num país que ama mentira e soluções rápidas e vaporosas.

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  • João C.

    21/08/2012 #2 Author

    Até que enfim alguém com lucidez suficiente para não distorcer o que foi dito. Pesquisas demonstram e comprovam que os efeitos da maconha (para quem usa moderadamente) são iguais ou até mais leves que os do álcool. A Soninha propõe a LEGALIZAÇÃO, claramente, repetidamente desde a entrevista fatídica à Época (é só ler a matéria, não o título!).

    Na farmácia se vende todo tipo de drogas, mas devidamente controladas, num estabelecimento idôneo, fiscalizado. No bar, idem. É proibido vender álcool e cigarro a menor de idade e se o bar for flagrado, toma uma bela multa. É o mínimo.

    Alguns países (no UOL e Jornal Nacional ontem falou-se do Uruguai) detectaram, afinal, que o traficante ter o domínio da maconha é mais danoso e a eficácia policial é quase nula. O que as pessoas não entendem, quando dizem que a maconha é porta de entrada para drogas mais pesadas é que, claro, o usuário compra do CRIMINOSO (esse sim!) que oferece: “experimenta isso aqui q é legal” e dependendo da vulnerabilidade, o usuário experimenta. Mas se compramos remédio na farmácia, o farmacêutico nunca diz: “vai uma heroína aí? Uma cocaína?”. Nem o vendedor do bar diz: “toma uma mais forte agora!” Ou diz? Para mim, nunca. E eu gosto de beber cerveja – moderadamente.

    O que é melhor para as famílias? Se álcool fosse ilícito, não iriam comprar no mercado negro não? Duvido. O lança perfume era amplamente usado socialmente pelos meus pais e até avós, que dizem até hoje: ah, era uma delícia! Eles eram ou são criminosos porque agora é proibido? Tem dó…

    A gente já chegou no limite da ignorância. E o jogo sujo político é isso aí, às claras, e nós permitimos.

    Tenho fé no bom senso de alguns humanos ainda. Talvez eu acabe perdendo essa fé, após o veredito do julgamento do Mensalão… sei lá.

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  • Samuel Oréfice

    21/08/2012 #3 Author

    Levy Fidelix, vai requerer a nulidade de registro da candidata, Soninha Francine, junto ao TRE, por apologia ao crime.

    A candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, em Sabatina, promovida pela Folha de São Paulo e UOL, a defender a legalização da venda da maconha e sugeriu que a droga pudesse ser vendida em bares, a exemplo de bebidas e cigarros.

    Segundo ela, a maconha deveria ser vendida como cerveja. “No bar, não se vende muita droga?”, questionou.

    “A gente está trocando tiros para impedir que as pessoas fumem, e elas fumam”, disse a candidata, em sabatina Folha/UOL.

    Soninha disse, porém, não fumar mais maconha. “Parei de fumar por causa da minha religião”, disse a candidata, que é budista. Em 2001, Soninha deu entrevista à revista “Época” admitindo usar a droga e desde então é favorável à descriminalização.

    A candidata também criticou a ação do governo e da Prefeitura de São Paulo no centro de São Paulo para combater o uso de crack. Para ela, a ação foi “descoordenada” na região central, que é apenas uma de muitas “cracolândias” que existem na cidade.

    Absurdo e ousadia com todas as letras. Espera-se agora que a Polícia Civil , Ministério Público e o Ministério Público Eleitoral, apurem a infringência à Lei Antidrogas e possivelmente ao Estatuto da Criança e do Adolescente, observado o explícito incentivo ao uso de droga ilícita.

    O candidato à prefeitura de São Paulo, Levy Fidelix, vai entrar com o pedido de nulidade de registro da candidata à prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, junto ao TRE, por apologia ao crime. Ou seja, apologia explícita e oficializada ao uso de droga ilícita, crime previsto no artigo 33, parágrafo segundo, da Lei 11343./06, a Lei Antidrogas, em pleno vigor em território nacional. (“CONSTITUI CRIME INDUZIR, INSTIGAR OU AUXILIAR ALGUÉM AO USO INDEVIDO DE DROGAS”), lembrando que o uso e o plantio da cannabis e outras formas também são proibidos pela citada lei.

    Inacreditável e inadmissível tal prática permissa, via candidata à prefeita de São Paulo, num total desrespeito à lei e à ordem.

    Os pais precisam ser alertados de que devem acompanhar de perto as atividades dos filhos adolescentes.A liberdade excessiva pode conduzir a descaminhos perigosos e até fatais. Existe uma lei antitóxico. Por ela é possível condenar o uso de substância entorpecente ou que determine dependência física ou química.

    Há medidas de prevenção e repressão ao tráfico ilícito, mas nada substitui a ação de pais e professores, no esclarecimento a respeito do que há de nefasto no uso de tais substâncias. Nas grandes cidades brasileiras, vidas são sacrificadas por balas perdidas, o tráfico tornou-se uma atividade quase oficial, tamanha a estrutura hoje existente do que se convencionou chamar de crime organizado.

    Armas são roubadas para coonestar uma ação que se estende de forma tentacular. Qual a solução para esse quadro dramático? O exercício pleno da autoridade, que se tem omitido de forma lamentável, e uma ampla campanha de esclarecimento nas escolas. De outra forma, estaremos caminhando para o sacrifício de toda uma geração.

    Uma grave e perigosa ameaça à sadia juventude, cuja prevenção ao não uso de drogas é a estratégia recomendável, não a permissividade e o incentivo ao uso. É por demais sabido, inclusive, que a maconha, tal e qual o álcool, são comprovadamente portas abertas ao consumo de drogas mais pesadas.

    O incrível é que a orientação e o incentivo para a prática criminosa parte de uma candidata à prefeitura de São Paulo. Um recente estudo, elaborado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), concluiu que o hábito de fumar maconha, mesmo em pouca quantidade, PODE DANIFICAR A MEMÓRIA. Quando o uso é crônico e se inicia antes dos 15 anos de idade, o risco é ainda maior, devido ao efeito tóxico e cumulativo do tetrahidrocanabinol (hoje mais potente pelas mutações genéticas), no desempenho cerebral, afirma a pesquisa.

    Acho que tal permissividade estaria em verdade contribuindo ainda mais para a desgraça e o desrespeito familiar, onde filhos drogados cultivariam a maconha em suas residências para depois fazerem uso da droga e permanecerem em estado letárgico, amotivados para a vida saudável. Alguns viram, em realidade, ‘trapos humanos’ pelo uso e dependência de drogas e destroem famílias inteiras.

    Assessoria de Imprensa PRTB

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  • Big Head

    21/08/2012 #4 Author

    Post certeiro. Tudo certo, nada fora do lugar. Está mais do que na hora deste debate vir à tona, respeitando-se todas as opiniões, claro. O que não se pode é incriminar opiniões divergentes. Aliás, tal artifício tem sido abusivamente empregado quando so debates em política mexe com a agenda de valores, tanto de um lado quanto do outro. Se quem defende a descriminalização da maconha é prontamente tachado de maconheiro, quem é contra as cotas raciais ganha a pecha de racista. E por aí vai. Dado o relativo consenso em torno dos temas macroeconômicos, ainda mais agora que o governo Dilma se rendeu às privatizações, e a verdadeira balbúrdia que reina na política-partidária, temas como este tendem a ganhar notoriedade, como, aliás, acontece nas melhores democracias. Atitudes nefastas como essa do Levy Fidélix tem que ser tenazmente combatidas, pois é necessário preservar o ambiente de debates livre de imbecilidades como essa.

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