Dilma e a TPM

A presidente Dilma Rousseff respondeu com uma nota de seis parágrafos a uma declaração do ex-presidente Fernando Henrique de que Lula legou uma herança ruim a ela. Não precisava gastar tanta tinta e papel com algo notório. Assim como FHC legou a Lula uma economia em crise, Lula deixou para Dilma tudo aquilo que seu antecessor lhe atribuiu.

Ou alguém verá nas sete demissões de ministros acusados de roubar dinheiro público — indicações, em sua maioria, que tiveram ao menos o beneplácito de Lula ou sua interferência direta — algo menor do que uma herança maldita ?

Por que, então, a presidente se daria ao trabalho de redigir um documento tão amargo e enfático para “desmentir” verdades óbvias ditas pelo ex-presidente tucano ?

Talvez três letrinhas sejam suficientes para explicar o gesto de amparo à biografia de Lula, que está sendo maltratada agora pelo STF: TPM.

Ops! Não se apresse em decifar o acrônimo, caro leitor. TPM, neste caso, significa Tensão Pós-Mensalão. Nenhuma alusão, portanto, a estados induzidos por variações estrogênicas.

A rigor, Dilma tem tanta razão quanto FHC. Ambos fizeram referências factuais corretas. Com apenas uma ou outra imprecisão. A mais gritante diz respeito à acusação da tentativa de “reescrever a história”. Aqui, não há como não anotar o equívoco. Quem passou oito anos tentando reescrever a história do Brasil foi Lula, que a cada discurso lançava mão do “nunca antes na história deste país…”, e não Fernando Henrique.

De resto, tudo perfeito, de ambos os lados. E a lição pode ser sintetizada numa paráfrase:

Em casa que tem Mensalão

E emenda da reeleição

Todos choram,

E todos têm razão.

Comentários

17 thoughts on “Dilma e a TPM

  1. Isso aí é suco de uva. A Dilmona fez o que o partidão mandou fazer.

    Sabem que serão todos condenados no STF – e mais do que nunca irão merecer o apelido PETRALHA, e estão espumando de ódio.

    Consultei o site de um dos enganadores pagos com dinheiro publico federal e segundo ele reuniões estão sendo feitas para formular o revide.

    Objetivo: montar rapidamente uma estratégia que possa levar tucanos a julgamento. Para tanto, irão ressussitar o mensalão do PSDB de Minas e utilizar as provas que eles juram conter aquele livro do Amauri Jr. deverão ser apreciadas pelo MP e deverão resultar em inquerito. Não está descartada uma CPI das privatizações.

    Tudo dependerá do tamanho do rombo no casco da caravela petista. Sabe aquela história do padre pedófilo ?

  2. Olá!
    Desde este dia não recebo nem os resumos por e-mail, nem vejo nada. Sei que “estás apertado de costura” mas… adoro teorias conspiratórias, ai vai uma : será que é por causa de um comentário anterior, no qual o chamei de “Seu Pafúncio”?
    Brigadim pela atenção 12/09/12

  3. … Aqui em Salvador corre a boca pequena que a Marta Suplicy esteve aqui no último final de semana e contratou dois Pais de Santo dos bons, indicado pelo Jacques Wagner, para tentar desemPACar o raddadi aí em São Paulo. Podem ir preparando as Galinhas Pretas que agora raddard vai…….vai………vai……….glup……….glup……….glup…………
    Vocês poderiam confirmar essa pérola aí em São Paulo ???????????

  4. A ira petralha/Sarneyzista/Collorida/Malufista agora destina os seus dardos de ódio aos ministros do STF. Joaquim Barbosa, o qual não tenho nenhuma simpatia ( o acho autoritário, arrogante e mal educado) está fazendo um julgamento baseado nas provas dos autos, não nas ordens de Lula que o nomeou. Os condenados até agora estão sendo tratados como “vítimas de um golpe”, segundo eles. Golpe que sofreu foram todos nós! No nosso bolso, na nossa cidadania, em nossa dignidade.

  5. Eu queria ser uma formiguinha para ver a cara das penas alugadas do petismo na imprensa (vulgo BESTA/JEG) quando iniciou a avalanche de condenações começou e a tese da defesa foi destroçada já nos primeiros dias.

    A pancada foi tão forte que eles estão totalmente desorientados. Hora correm para eleição da prefeitura de SP para saldar a bem provável derrota de Serra, hora questionam o critério de escolha dos ministros do STF, ou ainda, lançam uma a possibilidade de uma conspiração – afinal, na visão deles, não existem provas para justificar a chuva de condenações. Ou ainda: para os ministros ficarem bem com Veja, Estadão, Globo e Folha, estão condenando inocentes – LOL !

    E olha que nem acabou. O pesadelo apenas está no começo.

    Mas ver os chiliques do Rui Falcão, não tem preço. Impagável !

    O julgamento do Mensalão será a batalha de Dien Bien Phu do PT. E bom lembrar que na analogia franceses agora são os petistas. Será o começo do doloroso fim.

  6. Prezado Pannunzio,

    A Presidente Dilma mentiu hoje na televisão, anunciou medidas fantasiosas e traiu os interesses nacionais. Ao final do meu comentário eu vou reproduzir um texto do Rolf Kuntz, escrito na última eleição presidencial, que deixa evidente que a Dilma não propôs nenhuma mudança para que o país encontre o caminho da prosperidade.

    Veja que a Dilma hoje, dia 06 de setembro de 2012, falou em rede nacional que incorporará uma nova palavra ao Governo Federal: competitividade. Não sei qual é o dicionário da Dilma, mas no meu essa palavra já existia.

    Segundo ela, milhares de quilômetros de ferrovias e rodovias serão construídos com a forte presença do Estado nesse processo. Se isto quer dizer dinheiro público dos tributos, eu não sei como essa conta fecha em favor da competitividade…

    Só quero ver como a nossa governanta vai conciliar competitividade com as demandas da máquina do Estado.

    Peço que você dê destaque ao artigo do Rolf Kuntz, de 18 de Agosto do ano retrasado:

    “Só faltam vaquinhas alpinas
    18 de agosto de 2010 | 0h 00

    Rolf Kuntz – O Estado de S.Paulo
    Nem a neve faltou, neste ano, para realçar o jeitão suíço da campanha eleitoral. Quem acreditar em qualquer dos três principais candidatos não pode ter dúvida: falta pouco para o Brasil se tornar um tranquilo rincão alpino, já com uma forte base econômica e sem grandes problemas políticos e sociais. Não há democracia mais firme, nem grandes grupos comprometidos com projetos autoritários. Não há contas públicas mais seguras – vejam a buraqueira fiscal no mundo rico – e até a lucratividade dos bancos é festejada por antigos esquerdistas. Sem outras grandes preocupações, talvez algum bando de ultradireita comece uma campanha contra imigrantes pobres – mas só depois das eleições.

    Enquanto isso, os candidatos mais cotados para a Presidência dedicam-se a recitar promessas de varejo: distribuição de medicamentos para isto ou aquilo, mais cirurgias eletivas, bibliotecas para as escolas, mais professores nas salas de aulas, mais cursos técnicos, mais lazer e um monte de outras maravilhas. Ninguém prometeu, por enquanto, imprimir histórias em quadrinhos com tábuas de logaritmos, nem subsidiar a fabricação de chinelos antijoanetes, mas ainda há tempo para isso.

    Talvez os candidatos estejam certos. O governo continua com mais de 70% de aprovação, a economia cresce, a inflação parece acomodada e discussões mais complexas podem aborrecer os eleitores. A qualidade do regime não é um grande assunto no Brasil e as condições na economia nos próximos dois ou três anos são um tema abstrato e fora do repertório comum.

    As disputas mais duras, até agora, têm escorregado para a comparação entre os governos Lula e FHC. O candidato José Serra não conseguiu evitar essa armadilha, embora tenha adotado, há pouco tempo, uma estratégia mais agressiva em relação ao governo petista. Quando a conversa vai para as comparações, ele e sua adversária Dilma Rousseff se empenham na enumeração varejista dos feitos de cada presidente. Ninguém discute seriamente as questões de maior alcance e menos populares, como a orientação das políticas de longo prazo e a pauta de reformas. A candidata Marina Silva, promissora no começo da campanha, perdeu parte do impulso e participa do jogo da miudeza – quando não recai na conversa monotemática da política ambientalista.

    O eleitor mais informado e mais preocupado com a democracia e com a segurança econômica de médio prazo tem motivos para sentir-se no escuro e em zona perigosa. Quem valoriza as liberdades democráticas deve ter na memória os ataques dos últimos anos – as tentativas de controle da imprensa, ainda não abandonadas, o recurso abusivo às medidas provisórias, o estímulo ao peleguismo, a cooptação dos chamados movimentos sociais, o aparelhamento do governo e o loteamento de cargos.

    Congressistas foram capazes de neutralizar alguns desses assaltos, mas também foram omissos em muitas situações. Seria enorme a lista das medidas provisórias sem a urgência e a relevância requeridas pela Constituição. Os parlamentares poderiam tê-las devolvido ao Executivo, liminarmente, mas nunca se organizaram para exercer essa prerrogativa. Aceitaram, quase sem reagir, a usurpação de poder.

    Em relação à economia, os principais candidatos prometem manter as políticas de estabilidade fiscal e monetária, o apoio à modernização produtiva e as ações a favor dos mais pobres. Mas tudo se passa como se não se acumulassem graves problemas. Não é preciso ser muito atento para ver a piora do quadro fiscal, o engessamento cada vez mais amplo das finanças públicas, a carência de infraestrutura, o despreparo da mão de obra (falta gente em condições até de ser treinada no trabalho), a erosão do superávit comercial e a rápida expansão do buraco na conta corrente do balanço de pagamentos. Todos esses problemas afetam o curto e o médio prazos.

    Para complicar o quadro fiscal já inseguro, o País está comprometido com a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. O Tesouro e o BNDES vão intervir, com certeza, no financiamento das obras – várias delas muito caras e de utilidade muito discutível, como a do trem-bala. Entre os problemas de longo prazo alguns se agravam de forma indisfarçável. Os primeiros números do Censo já confirmam uma nova configuração das famílias. Diminui a proporção entre contribuintes e beneficiários da Previdência e será impossível esquecer o assunto nos próximos anos. Quem se dispõe a discutir essas questões, neste Brasil de maravilhas onde só faltam as vaquinhas alpinas com o sininho no pescoço?”

    Fonte:

    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,so-faltam-vaquinhas-alpinas,596524,0.htm

    Mario.

  7. CARO PANNUNZIO nao sei aonde a nossa presidente quer chegar ela deve estar incomodada com o julgamento do menssalao eu fui um eleitor da senhora dilma na eleiçao passada mais com toda certeza com suas palavras contra FHC ela ja nao tem mais meu voto para reileiçao FHC pra min foi um dos melhores presidente deste pais acabou com uma inflaçao que estava corroendo o nosso povo brasilleiro foi ele quem inplantou o real agora eu queria saber o que os ptista plantou em nosso pais porque eles so copiarao as coisas do PSDB.

  8. Acho que o galanteio henriqueano deu errado. Talvez encantado com a veraz carta de reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à nação que recebeu quando de seu octagésimo aniversário, o ex tenha pensado que Dilma, que afinal é petista e deve sua eleição ao Messias de Caetés, teria uma essência distinta do dono do petê, cuja expertise em fraudar a história em benefício próprio é inigualável. Ledo engano. Continuo a achar que as diferenças entre criador e criatura são mera perfumaria, coisa de marketeiro. Por falar nisso, Pannunzio, acho que o Príncipe Sociólogo erra neste ponto: a atual mandatária não recebeu legado algum, pois ajudou a criá-lo, como a gerentona do governo anterior. Quer dizer que o apagão da infraestrutra – que só agora obrigou o governo a recorrer às luzes da privatização – não teria nada a ver com a presidente? Poupe-me. A nota presidencial, além de estar duas notas acima do tom, falseia a realidade ao falar em intervenção do FMI, mas, reconheço, acerta ao expor talvez a maior mácula da biografia de FHC, que, num arroubo típico de ditadorzinho de república de bananas, alterou as regras do jogo com a bola rolando e em proveito próprio. Fato imperdoável.

  9. Creio que a tensão da presidente também é decorrente de não ter sido convidada para o Bar Mitzvah do Nissim Ourfali e portanto ela ainda não sabe que o melhor é quando vão para a baleia.

  10. Caro Pannunzio, encontrei em seu blog que é jornalista a 30 anos. Assim, se você começou aos 12 anos de idade na profissão (suposição minha) tem hoje 42 anos. Mais do que eu que tenho 39 e comecei a trabalhar de verdade aos 24 anos depois de me formar. Digo isso porque ou sou muito mau observador ou você está tomando partido (desacredito que você seja mau observador), pois, você diz que a herança de FHC a Lula é equivalente à de Lula a Dilma ?! Poderia esclarecer melhor. Pelas matérias que você fez sobre o aquecimento global, porque você não traça um comparativo dos 8 anos de cada governo junto com a conjuntura mundial de cada período. Acho que ainda não fizeram isso na imprensa que se diz imparcial.

  11. Caro Pannunzio

    Ao menos no artigo do FHC nao existe nenhuma mentira.
    Jah no da Dilma, ela mente ao afirmar que Lula recebeu o pais sob intervencao do FMI….isso eh uma mentira deslavada!!
    Tudo bem que PeTralha preza tanto pela verdade como Judas prezava a lealdade a Jesus.
    E para concluir, quero deixar registrado que na minha opiniao o PSDB eh o PT com diploma de curso superior.

    Abraco, Pannunzio!

  12. E a intervenção do FMI que nunca ocorreu na história destepaiz?
    Vc nao vai comentar? Concorda com o neuronio solitário?

  13. A paranóia dessa gente do PT está em grau tão elevado que qualquer crítica mesmo que sincera e bem fundamentada lhes causa ataques convulsivos.

    Vemos agora Rui Falcão atacar o judiciário.

    Se o pior para o PT acontecer: isto, além de Cunha, cana também para Delubio, Genoino e Zé, aguenta.

  14. E isso ai companheiro Panusio. Voce representa muito bem a todos nos petistas. Tucano só nos deixou coisa ruim e nos estamos construindo um Brasil muito melhor. Rumo ao socialismo gente. Igualdade!!,

  15. Rebaixar o governo do FHC ao nível do (des)governo do Lulla, parece querer bancar o isento.

    Teste rápido: Qual o maior legado de cada um dos governos?

    Primeiro – Controle da inflação, segundo- mensalão.

    Pronto. Indiscutível. Isto fica para a história, o resto é rapsódia.

  16. Pannunzio
    O final do seu texto deveria ser assim:
    Em casa que tem mensalão.
    E propina para compra da reeleiçao
    Todos choram
    E todos têm razão.

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