Por volta das 19h30 de ontem, quem estava na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul- Brasília) se surpreendeu com a correria de agentes e...

Por volta das 19h30 de ontem, quem estava na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul- Brasília) se surpreendeu com a correria de agentes e a saída de um homem encapuzado e completamente vestido de preto. Escoltado por policiais e pela delegada-chefe Martha Vargas, mas sem algemas, ele entrou em uma viatura descaracterizada e foi levado ao Bloco C da Quadra 113 Sul, onde, na segunda-feira, foram encontrados os corpos do advogado e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, 73 anos, da mulher dele, Maria Carvalho Mendes Villela, 69, e da empregada deles, Francisca Nascimento da Silva, 58. Após passar quase três horas no apartamento 601/602, onde os três foram mortos a facadas na noite do dia 28, a delegada reiterou que o homem — as mãos brancas, com uma aliança dourada na esquerda, eram a única parte descoberta — se tratava de uma “testemunha importante” e falou em uma “reviravolta” na investigação.

Até as 23h20, investigadores e peritos continuavam no imóvel do 6º andar. Durante esse período, as luzes da residência dos Villela ficaram acesas e as cortinas, fechadas. “A população pode se preparar para uma reviravolta no caso. As investigações estão caminhando bem”, foi o que Martha Vargas limitou-se a dizer ao voltar à portaria do edifício. Às 23h03, nova equipe de polícia técnica havia chegado ao imóvel para dar início à sexta perícia. Treze minutos antes, policiais deixaram a 113 Sul conduzindo um homem encapuzado, que seria a testemunha — minutos depois a viatura policial chegou à 1ª DP com essa pessoa. No entanto, o porte físico não era idêntico ao homem levado ao apartamento dos Villela três horas antes.

Família

Enquanto a polícia trabalhava na cena do crime, familiares do casal assassinado permaneciam na 1ª DP. Por volta das 19h, o filho, Augusto Villela, a neta Carolina e o namorado dela, um policial federal, chegaram à delegacia para um novo depoimento. Os três estavam a bordo de um carro dirigido pelo namorado da neta — foi ele a primeira pessoa a ver a cena do crime, na última segunda-feira. Eles entraram pela porta do setor de identificação e foram conduzidos a uma sala, onde continuaram pelo menos até as 23h20. No total, cinco pessoas foram ouvidas ontem pelos agentes civis.

Antes do surgimento dessa testemunha-chave, a principal linha de investigação apontava para dois rapazes filhos de uma pessoa próxima ao casal Villela. Um deles, inclusive, foi defendido em 2007 por Augusto Villela, que advogava no escritório dos pais, em um processo por roubo à mão armada. O jovem recebeu pena de cinco anos e quatro meses de prisão em regime semiaberto, mas recorria da sentença em liberdade. Essa ligação garantiria o livre acesso dos dois jovens ao apartamento da 113 Sul. O imóvel não apresentava qualquer sinal de arrombamento.

Além disso, os dois suspeitos foram identificados nas imagens captadas pelo circuito de TV do Bloco E, vizinho ao C. A dupla saía da portaria 01/02 do prédio onde houve o crime com uma mochila nas costas. Era por volta das 19h30 do último dia 31— as mortes ocorreram provavelmente entre as 17h e as 19h daquela sexta-feira. Os jovens teriam fugido em direção à 313 Sul.

No entanto, pelo menos até a tarde de ontem não havia sido encontrado o elo que comprovasse a presença dos suspeitos no local do crime. Um servidor do Instituto de Criminalística (IC) garantiu ao Correio que as impressões digitais coletadas no apartamento da família Villela não coincidiam com a do jovem que já tinha ficha na polícia. Assim como na quinta-feira, ontem a polícia e a cúpula da Segurança Pública continuaram negando a prisão desses dois rapazes.

Pistas e provas

A Polícia Civil se depara, agora, com o desafio de transformar as evidências colhidas em cinco dias de investigação em provas materiais. Ontem, por exemplo, os peritos descobriram que o assassino girou duas vezes a chave na hora de fechar a porta do apartamento dos Villela.

Além disso, os peritos do Instituto de Criminalística (IC) estavam em busca de rastros deixados pelo criminoso, como gotas de suor e até mesmo saliva. “Quem comete um crime desses (os três foram mortos com 72 facadas ao todo) sua, baba”, afirmou uma perita que trabalhou ontem à noite na cena do crime.

Para ajudar na missão de vasculhar o imóvel em busca de novas pistas, a delegada-chefe da 1ª DP conta com a ajuda do diretor do IC, Celso Nenevê. Acompanhados de dois peritos, os dois estiveram ontem à tarde no apartamento do Bloco C. As cortinas e janelas permaneceram fechadas durante todo o tempo, ao contrário das outras perícias realizadas no local. A vistoria durou quase duas horas.

Martha e Nenevê deixaram o lugar por volta das 13h. Ao ser questionada se havia novidades sobre o crime, a delegada Martha Vargas sorriu: “É um mistério”.

Em reunião ontem à noite, os moradores do Bloco C decidiram celebrar uma missa na semana que vem, no edifício, em homanagem as vítimas.

 

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