Do Congresso em Foco Um metro e setenta de altura, magro, cabelos lisos e castanhos, olhos ligeiramente apertados, 55 anos, o ex-ativista italiano Cesare...

Do Congresso em Foco

Um metro e setenta de altura, magro, cabelos lisos e castanhos, olhos ligeiramente apertados, 55 anos, o ex-ativista italiano Cesare Battisti é um homem condenado a nunca mais ver o sol. Preso há dois anos na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, ele demonstra uma mistura de inconformismo, esperança e resignação nos instantes que antecedem seu juízo final, marcado para começar às 9h desta quarta-feira, dia 9/9/9. “Estou pronto pra tudo”, afirma.

O que, para alguns, pode remeter a uma combinação cabalística de números, para Cesare representará a reconciliação com a liberdade ou a condenação pelo resto da vida. Dois destinos tão antagônicos estarão nas mãos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) quando a mais alta corte do Judiciário brasileiro julgar amanhã o pedido de extradição feito pelas autoridades italianas.

Convidado pelo Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti, o Congresso em Foco visitou ontem (7) o ex-ativista italiano, preso em uma ala reservada a ex-policiais e detentos com nível superior na zona rural de São Sebastião, nos arredores de Brasília.

Autocrítica

Encontrou um homem bem articulado, que fala com fluência o português, nega veementemente a autoria dos quatro homicídios que lhe são imputados, ocorridos entre 1978 e 1979, e se diz vítima de uma implacável perseguição política. E que também faz uma autocrítica. Reconhece que cometeu pelo menos dois erros capitais: não ter negociado anteriormente sua rendição com as autoridades dos países pelos quais passou e ter superdimensionado seu próprio poder. “Achava que tinha mais força do que tenho. Fiz uma má avaliação da situação.”

“Fui mal assessorado. Eu não estava me escondendo. Participava de encontros políticos nos países por onde estive. Deveria ter negociado minha rendição desde o princípio”, avalia. “Sou um arquivo vivo que não se calou. Falei demais talvez. Não conhecia meus limites. Por isso estou aqui”, complementa.

Limites

Para ele, o caso está sendo tratado com dois pesos e duas medidas pela Justiça italiana. “Quando tratam de me condenar, me acusam de crime político. Quando é para me extraditar, dizem que foi um crime comum”, reclama. “Nessas horas sou um animal ainda mais político. Sou muito realista. Sei o que represento, agora conheço meus limites”, declara.

Segundo ele, a “obsessão” das autoridades italianas por sua extradição tem motivação política. “O povo italiano não sabe quem é Cesare Battisti. Tem preso político sepultado vivo na Itália há quarenta anos. Nossos inimigos daquela época [anos 70] agora estão no poder”, acusa.

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