Foi um dia de poucas notícias e muita especulação sobre a causa do acidente com o Airbus A-330 da Air France. De concreto,...

 

Foi um dia de poucas notícias e muita especulação sobre a causa do acidente com o Airbus A-330 da Air France. De concreto, sobrou pouca coisa.

Vamos ao que está certo:

– A arenonave decolou às 19h30 do Galeão. O vôo interceptou a base do CINDACTA de Natal e seguiu normalmente na direção nordeste. Passou ao largo de Fernando de Noronha, deixando o arquipélafo à direita.

– Cruzou o chamado ponto INTOL, a 556 quilômetros de distância de Natal, a 11 mil metros de altitude, com velocidade de 840 km\h. Estava tudo bem. Eram 22h33.

– O próximo ponto que deveria ser “reportado” era TASIL, referência abstrata que estabelece o limite meridional da jurisdição brasileira, por onde o AF-447 teria que passar às 23h20. Não passou.

– Seis minutos antes, um alerta automático é recebido pelos computadores da Air France, em Paris. Dá conta de uma pane elétrica e despressurização. Eram 23h14, o horário da tragédia.

– 40 minutos depois, um piloto da TAM, fazendo a rota inversa, observa pontos alaranjados da superfície do oceano. Estava a cinco minutos de adentrar o espaço aéreo brasileiro. Só depois de pousar no Brasil é que o piloto deu importância ao que observara. Comunicou imediatamente a companhia e, por meio dela, as autoridades aeronáuticas.

– Os preparativos para as buscas foram acionados às 2h10 minutos. Até então, controladores de vôo apenas alertaram o centro de controle de tráfego aéreo de Dakar sobre o possível desaparecimento da aeronave.

– Os aviões brasileiros destacados para as buscas estavam muito distantes. A maior parte foi deslocada do Centro-Oeste. A primeira missão de reconhecimento só começou no fim da tarde, com pouca luz. O ponto mais oriental do território brasileiro fica a dois meridianos de Brasília — portanto, anoitece duas horas mais cedo.

– A autonomia das aeronaves da FAB é pequena para as distâncias envolvidas nessas missões. Segundo o Coronel Jorge Amaral, sub-chefe de comunicação da FAB, o Bandeirante R-99 precisa voar duas horas a partir de Fernando de Noronha para atingir o ponto presumível do acidente. Só aí é que começa a  vasculhar a superfície do oceano em busca de vestígios. Mas o combustível não é suficiente para mais de uma hora de sobrevoo. Assim, o Bandeirante precisa voltar à base para reabastecimento. Ou seja: o que se consegue é, no máximo, uma hora de varredura a cada cinco horas de voo.

– Apostar na hipótese de que há sobreviventes não é acreditar em milagres. É estupidez mesmo. Não houve nenhuma emissão dos transmissores de localização de emergência que equipam as aeronaves e os botes salva-vidas. É uma tristeza, mas evidencia que o Airbus deve ter se destorçado em pleno ar, triturado pelas enormes forças que atuam sobre um bólido que se desloca a quase 900 km\h.

– A tragédia que se cria a partir de acidentes aéreos tem uma drasticidade capaz de gerar um enorme comoção. Afinal, mais de 50 brasileiros estavam nesse avião. Mas não é a pior tragédia do dia, de nenhum dia. Somente nessas primeiras 24 horas de buscas, 136 brasileiros perderam a vida nas péssimas rodovias do país. Mas essas essas pequenas tragédias não comovem a população, que segue se matando ao volante sem cobrar dos políticos que cessem esse interminável genocídio rodoviário.

 

 

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