Quem matou os Villela e a empregada deles? A pergunta continua sem resposta duas semanas depois do triplo homicídio que chocou Brasília. O advogado...

Quem matou os Villela e a empregada deles? A pergunta continua sem resposta duas semanas depois do triplo homicídio que chocou Brasília. O advogado José Guilherme Villela, 73 anos, a mulher, Maria Carvalho Mendes Villela, 69, e a doméstica Francisca Nascimento da Silva, 58, foram cruelmente assassinados com 73 facadas em 28 de agosto último. Os corpos acabaram encontrados no dia 31. O cenário da tragédia: o apartamento do casal, o 601/602 do Bloco C da 113 Sul, uma das quadras mais valorizadas de Brasília — moradia de ministros, funcionários de embaixadas, juristas.

Uma fonte da Polícia Civil afirmou ontem que a investigação da morte do casal e de Francisca é prioridade. “Um advogado foi assassinado, era um ministro aposentado do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas, além de tudo, foi um triplo homicídio que tem que ser elucidado a todo custo. Porém, não faremos uma investigação açodada para que não tenhamos erros”, informou a fonte, que é ligada à cúpula da corporação.

Além de latrocínio (roubo com morte) — que tecnicamente ocorreu porque joias foram roubadas do apartamento —, os investigadores trabalham com a hipótese de crime por encomenda, tese que ganhou força nos últimos dias, mas ainda necessita dos resultados das perícias técnicas. “Com os exames prontos, teremos praticamente elucidado o caso”, afirma um investigador, confirmando que pelo menos 30 pessoas, entre testemunhas e suspeitos, foram ouvidas desde 31 de agosto.

O trabalho da polícia nos últimos dois dias tem sido praticamente de diligências em locais não revelados pelos agentes. “Estamos em busca de provas para robustecer as novas suspeitas”, revela um policial envolvido na apuração. A fonte não descarta estender o trabalho a outras regiões, caso seja confirmado que o crime foi encomendado. Afinal, os matadores poderiam ser de outros estados. “Muitos dos crimes ocorridos no Distrito Federal, principalmente os mais rumorosos, os suspeitos ou se apresentaram ou, tendo dinheiro ou financiamento de alguém, fugiram até a poeira baixar”, diz uma fonte da Secretaria de Segurança Pública que acompanha as investigações.

A quinta-feira foi de pouca movimentação na 1ª Delegacia (Asa Sul), responsável pela apuração dos homicídios. A delegada-chefe Martha Vargas — orientada a não dar entrevistas — chegou por volta das 10h30 e passou o dia inteiro dentro da unidade. Reunido com ela, o chefe do Departamento de Polícia Circunscricional (DPC), delegado André Victor Espírito Santo.

Um grupo de agentes envolvidos na investigação deixou a 1ª DP por volta das 12h30 em quatro veículos sem caracterização policial. Um dos homens carregava uma metralhadora. Houve diligências no Novo Gama e em Santa Maria, mas ninguém foi preso. A equipe só voltaria ao distrito às 22h30. Por volta das 16h, dois agentes — também em veículos descaracterizados — se dirigiram ao Bloco C e permaneceram no apartamento dos Villela por quase duas horas. Após a chegada do delegado André Victor, por volta das 18h, os investigadores desceram e circularam a pé pelos blocos vizinhos. Os três deixaram a quadra uma hora depois, sem informar os motivos que os levaram a voltar ao prédio. O delegado André Victor, entretanto, adiantou que não se tratava de mais uma perícia.

Até agora, nove perícias foram realizadas no imóvel. Na noite da última sexta-feira e madrugada de sábado, por exemplo, duas equipes técnicas estiveram no apartamento para colher impressões digitais pelos cômodos ou algum material genético do assassino, como fios de cabelo ou sangue. Eles se depararam com fortes indícios de que a cena do crime foi alterada após a realização da primeira perícia, realizada no último dia 31.

Na realidade, a polícia já não tem mais dúvidas de que alguém (possivelmente o criminoso) tenha retornado ao apartamento após a retirada dos corpos. Em razão disso, a fita de isolamento que estava pregada na porta do imóvel foi recolhida para análise no Instituto de Criminalística. No entanto, nenhuma impressão digital foi encontrada no material coletado, afirmou André Víctor. Sobre o trabalho de apuração, o diretor do DPC mostrou-se evasivo: “Temos algumas linhas de investigação, mas nenhuma hipótese será descartada. É crime intrigante”. Ontem à tarde, saiu o resultado dos laudos toxicológicos dos corpos de José Guilherme e Maria. Em nenhum deles, havia vestígios de qualquer substância sedativa.

O Correio esteve no Edifício Denasa, no Setor Comercial Sul, onde funciona o escritório da família Villela. Nem Carolina, neta de José Guilherme e Maria, nem Augusto, filho do casal, passaram por lá. Ambos trabalhavam na firma.

Coração azul
Entre as joias que o assassino (ou assassinos) levou do apartamento 601/602 do Bloco C da 113 Sul, há anéis e pulseiras de ouro, um colar de pérolas e um cordão com pingente azul em forma de coração. Os itens preciosos ficavam no closet de Maria, que estava revirado quando os policiais chegaram pela primeira vez ao local.

Comentários

  • João

    03/08/2012 #1 Author

    Esse crime chocou o país, mas todos nós desejamos que os culpados por essa barbárie paguem.
    Queremos Justiça em BSB.

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