Explicação enrolada e longa demais cheira a embromation. É virtualmente indecifrável a  imensa nota do Instituto Lula em resposta a uma única frase cunhada de...

Explicação enrolada e longa demais cheira a embromation.

É virtualmente indecifrável a  imensa nota do Instituto Lula em resposta a uma única frase cunhada de Fernando Henrique Cardoso no Facebook: “Verdades da História sempre vencem a propaganda política populista”.

FHC fez o comentário ao compartilhar em seu perfil uma nota do PSDB sobre as revelações do Atlas Brasil 2013 do PNUD.   O que o documento tucano afirma, basicamente, é que o IDHM cresceu mais durante o potentado peessedebista (24,4%) do que na dinastia petista ( 18,8%).

Lula, mais uma vez, não comparece diretamente no texto. O Instituto Lula teve que ir ao arquivo buscar duas frases já publicadas para exprimir aquela que supostamente seria a posição do ex-Presidente. A primeira é: “Tem gente querendo fazer com que as pessoas esqueçam o que fizemos nos últimos dez anos” .

Um fala em “história” (FHC). Outro remete aos “últimos dez anos” (Instituto Lula). Há uma evidente diferença de perspectiva temporal aqui.

Quanto à segunda afirmação retirada do arquivo, trata-se de uma alocução auto-refente na qual Lula tenta se distanciar de si mesmo para criar identidade com o discurso das ruas: “Nós temos o direito de reivindicar tudo que falta, mas temos a obrigação de reconhecer tudo que conquistamos”. Reivindicar o que e de quem, senão dele mesmo ?

A nota dos tucanos tem três parágrafos. A do PT, seis parágrafos, um sumário estatístico e três gráficos. Está muito bem ilustrada. O problema é entender o que ela pretende comunicar.

Quer um exemplo ?

“Em 1991, 99,2% dos municípios brasileiros estavam nas faixas de IDH de Baixo e Muito Baixo desenvolvimento. Em 2000, 71,5% dos municípios, bem mais de dois terços do país, encontrava-se na mesma situação. Dez anos depois, esse número havia baixado para 25,2%, porcentagem menor do que a dos municípios no extremo oposto, de Alto e Muito Alto Desenvolvimento, que faziam 34,7% do país”.

Entendeu ? Então, por favor, desenhe para mim.

No final, extraindo-se a vaidade tucana e a soberba petista, sobra algo positivo. É a constatação de que houve avanços importantes nos últimos vinte anos que  implicaram um aumento de 47,8% do IDHM. E que as duas eras partidárias contribuíram quase equitativamente para esse resultado — com uma pequena vantagem para FHC . Enquanto estiverem brigando por ninharia, estarão, tucanos e petistas, desperdiçando a chance de perceber o quanto ainda falta por fazer. Ou quanto cada qual deixou de fazer.

Uma última constatação. O documento do PNUD deixa claro que Lula pode até ter inventado a História. Mas não resta mais nenhuma dúvida de que já havia um Brasil antes dela.

Comentários

  • Ana Raquel

    02/08/2013 #1 Author

    Caro Pannunzio,

    É correto afirmar que “as duas eras partidárias contribuíram quase equitativamente para esse resultado — com uma pequena vantagem para FHC”.

    Porém é preciso destacar que o governo tucano teve de resolver problemas históricos no país, como hiperinflação, dívidas monumentais dos estados, falta de reservas internacionais, etc, etc e ainda, a oposição ferrenha e fraudulenta do PT.

    O que teria acontecido com o Brasil, caso Lula tivesse ganhado a eleição de 94??? O PT foi contra o Plano Real, foi contra a LRF, foi contra as privatizações….
    A herança bendita foi fundamental para o que é o Brasil hoje.

    Então, concluo que é inegável que, do ponto de vista dos números, o crescimento foi equitativo, porém, contextualizando à época, não tenho dúvidas de que a contribuição de FHC foi monumental.

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    • Fábio Pannunzio

      03/08/2013 #2 Author

      Concordo com você, Ana. Acho que isso tem que ser considerado, sim.

  • Luiz Carlos, o velho

    31/07/2013 #3 Author

    Não.
    Não podemos, de forma alguma e sob nenhum pretexto, deixar passar meias verdades e mentiras inteiras. O IDHM cresceu mais sim com FHC.
    E o crescimento se deve basicamente por que o PT aderiu com unhas e dentes ao neoliberalismo clássico.
    O resto é proselitismo barato…

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