O País deve à PM paulista um reconhecimento: não fosse a extrema violência e o despreparo demonstrados durante as primeiras manifestações de protesto, talvez...

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O País deve à PM paulista um reconhecimento: não fosse a extrema violência e o despreparo demonstrados durante as primeiras manifestações de protesto, talvez o movimento pela redução das tarifas não tivesse ganhado a dimensão que ganhou.

Reprovado unanimemente, o método policial foi se adequando ao ambiente democrático na medida em que os protestos se tornaram ubíquos, salvo um ou outro desvio. É justo suspeitar-se, por exemplo, que a demora da polícia para agir no dia 18 de junho, quando alguns manifestantes depredaram a sede da Prefeitura, pode ter sido deliberada, para recolocar o foco político do problema sobre a administração da cidade de São Paulo.

Em um mês e meio, no entanto, correntes de anarquistas, baderneiros, ladrões e vândalos fascistas ganharam corpo a ponto de se tornarem onipresentes. Onde há um grupo se manifestando legitimamente aparece a praga do vandalismo, deletéria sob todos os aspectos, mas especialmente porque carece de uma bandeira e parece ter como única motivação a destruição do patrimônio público e privado.

Ontem a PM parece ter chegado a um ponto de equilíbrio. Conseguiu reprimir a baderna com rigor, prendeu quem tinha que ser preso, mas sem transigir com o respeito ao direito de manifestação ou extrapolar os limites do exercício da violência legítima. É assim mesmo que tem que ser.

A esta altura, está claro que o vandalismo precisa ser contido — se necessário, com o uso responsável de balas de borracha e gás lacrimogêneo.

É preciso desinfetar as ruas desses arruaceiros para que a população possa voltar a ocupá-las. E isso só será feito com respeito democrático orientando a aplicação do rigor necessário. Exatamente como agiu a PM nesta terça-feira.

Comentários

  • Aragão

    03/08/2013 #1 Author

    Acho que há muita democracia, excessivamente, muita democracia no trato com quem deveria respeitar o público e o privado e não está respeitando. Enquanto não se tomar uma postura firme contra esses marginais granfinos eles continuarão aterrorizando as ruas do país. Protestar é uma coisa, depredar, agredir é outra coisa. O país está virando uma anarquia só e a ordem das coisas está se invertendo. Os marginais estão ditando as regras e as autoridades dizendo amém para eles. Aonde é que vai parar isso?

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  • Leonel Lacerda

    03/08/2013 #2 Author

    Morreu anteontem, vitima de problemas respiratorios decorrentes da inalacao de gas lacrimogenio e de spray de pimenta, Fernando Silva.Mais um baderneiro? Nao. Fernando era cineasta e criador de um movimento de cinema na Baixada. Confiram sua entrevista no hospital . Felizmente, enquanto alguns estao cansados das manifestacoes, a maioria esta farta de pessoas morrendo no chao de corredores de hospital,de resultados vergonhosos na Educacao,de denuncias de corrupcao em todas as esferas,do caos no transporte, do descaso dos politicos,da manipulacao da midia, dos impostos escorchantes que nao dao ao povo o acesso aos direitos previstos na Constituicao. E ainda tem coragem de dizer que nao sabem por que as pessoas protestam!

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  • Heleno Guanabara

    31/07/2013 #3 Author

    Parabéns, mais uma vez, Fábio. Jornalista verdadeiramente independente, coisa rara atualmente. Grande abraço.

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  • Zaíra Barros

    31/07/2013 #4 Author

    Fábio, estou muito contente em encontrar respaldo em suas publicações para o que penso. Parabéns por compartilhar ideais e fatos importantes. O que se viu na sexta-feira passada (dia 26/7), quando os vândalos arrebentaram 10 bancos da Av. Paulista e pararam a cidade, sem que, inexplicavelmente, a PM se manifestasse a não ser uma hora e meia depois, não poderia se repetir. O espaço público tem que estar aberto, livre e sem cerceamento para a população que tem muito a reivindicar, não para bandidos. Um abraço.

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  • josé carlos salvagni

    31/07/2013 #5 Author

    De pleno acordo, Fábio Pannunzio! As manifestações são democráticas e invocam o respaldo das instituições democrática, começando pela Constituição, para serem realizadas em sua plenitude. Quebra-quebra, violência intencional, nada disso é manifestação. É ação criminosa mesmo. Atentam contra a Democracia e contra o engajamento das pessoas em novas manifestações legítimas.

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