Joaquim Barbosa tem um milhão de defeitos e uma qualidade. Ele é grosseiro, estúpido e não suporta a crítica. Suas manifestações de hostilidade não...

Joaquim Barbosa tem um milhão de defeitos e uma qualidade.

Ele é grosseiro, estúpido e não suporta a crítica. Suas manifestações de hostilidade não poupam ninguém — jornalistas inclusive. Chegam ao limite da ira.

Mas há algo que o distingue: a honestidade de propósitos.

Você vai perguntar pra mim se alguém tem o direito de massacrar assim os próprios colegas. Como ele fez ontem, mais uma vez, com o Lewandovsky. E eu respondo que isso não é polido nem parece se adequar à estética e ao protocolo da corte suprema. Acho que ele poderia ser realmente mais polido no modo como aborda os assunto que o incomodam.

Mas estava na cara que Lewandovsky ontem atuava muito mais como advogado de defesa dos réus que pretendia liberar das punições que ele mesmo prescreveu. Aliás, apenas repetia o mesmo padrão que pautou todo seu comportamento durante o julgamento do Mensalão. Por isso hoje, quando a sessão for retomada, vai ser derrotado por todos os colegas de plenário.

Lewandovsky é polido e bem-educado. Joaquim Barbosa, tosco e atrevido com as palavras.

Mas a quem assiste a razão:  A quem quer fazer valer a punição dos mensaleiros ou a quem trabalha arduamente desmoralizar a própria corte e deixar impunes os companheiros de outrora ?

Comentários

  • Cunha

    27/08/2013 #1 Author

    A democracia pressupõe o respeito as minorias e o direito inalienável a manifestação. Se na mais alta Corte do pais isto não for respeitado, coitado de nos simples mortais. O ministro em questão, não admite ser contrariado e não tem equilíbrio para presidir o Supremo Tribunal Federal.

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  • ANILDO ARAUJO

    27/08/2013 #2 Author

    O DIAS TOFFOLI NÃO ERA ADVOGADO DO PT, ASSESSOR DO JOSÉ DIRCEU NA CASA CIVIL?? ELE ERA SUSPEITO OU IMPEDIDO PARA O JULGAMENTO DO MENSALÃO?? CABE PEDIDO DE PROCESS CONTRA ELE NO SENADO FEDERAL???

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  • Mario

    16/08/2013 #3 Author

    “Acho que ele poderia ser realmente mais polido no modo como aborda os assunto que o incomodam.”

    Tem certeza, Pannunzio? Eu tenho minhas dúvidas.

    Dou razão a Joaquim Barbosa. Deve ser insuportável presenciar a cara de pau de Lewandovsky. Há quem diga como você que Barbosa devia ser mais polido…

    Já eu digo que ele deve dizer a verdade. Não sei se neste caso haveria alguma forma polida de dizer a verdade. Ele devia ter dito o quê, Pannunzio? Algo como: “Com licença, Vossa Excelência está atrasando desde o início o julgamento de criminosos perigosos em detrimento da sociedade, a qual é legislada por eles!”. Ah!, sejamos justos: Barbosa sintetizou bem o que está ocorrendo.

    Mario

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  • Flávio Bello

    16/08/2013 #4 Author

    O ministro Joaquim Barbosa tem uma atitude de indignação com o momento,
    atual tanta falta de escrúpulo,de pessoas que deveriam proteger a democracia e a ordem nas instituições.Visam apenas o bem próprio,que prima uma imoralidade insolúvel,temos hoje um Dom Quixote,enfrenta os moinhos de ventos da corrupção seus dragões nefastos na ganancia pelo poder.Força caro magistrado sua lança é forte ela se chama honestidade,algo que falta pra muitos neste país.

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  • GEROMINHO DO MORRO

    16/08/2013 #5 Author

    Matou a Pau Seo Pannunzio……

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  • Edson Cordeiro Da Silva

    16/08/2013 #6 Author

    quando um Homen.não aceita ser contrariado: aí você ver quem.o apóia, tem o mesmo perfil…eu quero quê todos, envolvidos no mensalao.paguem sua pena..o mesmo pro demais partidos político.infelizmente a mídias no Brasil; é 49% PT,49% PSDB.só 2% é neutro: só quê 2% não está nas grandes mídias do Brasil..todos puxa saco de políticos.

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  • Big Head

    16/08/2013 #7 Author

    A quem interessar possa, a visão de mais um reacionário:

    Nas franjas do Black Bloc

    “Muitos dos jovens que estão usando essa estratégia da violência nas manifestações vieram das periferias brasileiras. Eles já são vítimas da violência cotidiana por parte do Estado e por isso os protestos violentos passam a fazer sentido para eles.” Rafael Alcadipani Silveira, autor do diagnóstico que equivale a uma celebração do vandalismo, não é um músico punk, mas um docente da FGV-SP. O seu (preconceituoso) raciocínio associa “violência” a “periferia” — como se esse sujeito abstrato (a “periferia”) fosse portador de uma substância inescapável (a “violência”). Por meio do conhecido expediente de atribuir a um sujeito abstrato (a “periferia”) as ideias, as vontades e os impulsos dele mesmo, Silveira oculta os sujeitos concretos que produzem um “sentido” para “protestos violentos”. Tais sujeitos nada têm a ver com a “periferia”: são acadêmicos-ativistas engajados na reativação de um projeto político que arruinou as vidas de uma geração de jovens na Alemanha e na Itália.
    No DNA humano estão inscritas as “pegadas” da evolução dos seres vivos. Nas obras de arte, encontram-se os sinais de uma extensa cadeia de influências que as interligam à história da arte. Similarmente, pode-se identificar nos textos políticos uma genealogia doutrinária, que se manifesta em modelos argumentativos típicos e expressões estereotipadas. O professor da FGV menciona a “violência cotidiana por parte do Estado”. Nas páginas eletrônicas dos Black Blocs, pipoca a expressão “Estado policial”. Bruno Torturra, o Mídia Ninja ligado a Marina Silva, definiu os Black Blocs como “uma estética” e defendeu a “ação direta”, desde que “dirigida aos bancos”. Pablo Ortellado, filósofo e ativista, elogiou a “ação simbólica” de destruição de uma agência bancária que, interpretada “na interface da política com a arte”, simularia a ruína do capitalismo. Eu já li essas coisas — e sei onde.
    Tudo isso foi escrito na década de 1970, pelos intelectuais italianos que lideraram os grupos autonomistas Potere Operaio, Lotta Continua e Autonomia Operaia. Eles mencionavam as qualidades exemplares da “ação direta” e a eficiência da “violência simbólica”. Toni Negri pregava a violência como ferramenta para defender os “espaços” criados pelas “ações de massa” e exaltava o “efeito terrível que qualquer comportamento subversivo, mesmo se isolado, causa sobre o sistema”. Avançando um largo passo, Franco Piperno clamava pela “combinação” da “potência geométrica da Via Fani” (referência ao sequestro de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas, em Roma, no 16 de março de 1978) “com a maravilhosa beleza do 12 de março” (alusão ao assassinato de um policial, em Turim, pelo grupo extremista Prima Linea, em 1977).
    Depois do assassinato de Moro, Negri e Piperno foram processados e injustamente condenados a cumprir sentenças de prisão, que acabaram sendo revertidas. Intelectuais, de modo geral, não sujam as próprias mãos. Os líderes autonomistas não integravam as Brigadas Vermelhas ou a Prima Linea — e, portanto, não deram as ordens que resultaram em atos de terror. Eles apenas ensinaram a seus jovens seguidores, alguns dos quais viriam a militar nas organizações terroristas, que a violência é necessária, eficaz e bela. A responsabilidade deles não era criminal, mas política e moral, algo que jamais tiveram a decência de reconhecer.
    Onde fica a fronteira entre a violência “simbólica” e a violência “real”? Na noite de 2 de abril de 1968 bombas incendiárias caseiras explodiram em duas lojas de departamentos de Frankfurt, que já estavam fechadas. A ação pioneira do grupo Baader-Meinhof, inscrita “na interface da política com a arte”, foi cuidadosamente planejada para não matar ninguém. Era a violência “só contra coisas”, não “contra pessoas”, na frase de Ortellado para justificar as ações dos Black Blocs. O primeiro cadáver do Baader-Meinhof, um guarda penitenciário, surgiu na operação de resgate de Andreas Baader, em maio de 1970. Depois, vieram outros cadáveres, de chefes de polícia, juízes, promotores ou empresários. Tais personalidade seriam “símbolos” do “sistema” — isto é, segundo uma interpretação possível, “coisas”, não “pessoas”.
    A tragédia alemã precedeu a italiana, mas não a evitou. No “Outono Alemão” de 1977, um jovem radical desiludido escreveu uma carta amarga, irônica, indagando sobre os critérios para decidir quem tinha mais responsabilidade pela opressão capitalista — e, portanto, deveria ser selecionado como alvo. “Por que essa política de personalidades? Não poderíamos sequestrar junto uma cozinheira? Não deveríamos pôr um foco maior nas cozinheiras?” Os nossos alegres teóricos dos Black Blocs aplaudem o incêndio “simbólico” de uma agência bancária, mas ainda não se pronunciaram sobre o valor artístico da vandalização de edifícios empresariais, shopping-centers, delegacias, palácios de governo ou residências. Por que esse “foco” nos bancos?
    Eugênio Bucci — ele também! — usou a palavrinha “estética” quando escreveu sobre a suposta novidade do “esporte radical e teatral de jogar coquetel molotov contra os escudos da tropa fardada”. Não existe, porém, novidade. Ortellado publicou um artigo sobre as fontes da “tática” dos Black Blocs, evidenciando suas conexões com os movimentos autonomistas de “ação direta” na Alemanha e Itália dos anos 1970 e 1980, cujos destacamentos de choque servem de modelo aos nossos encapuzados. Ele não diz com clareza, mas as teses políticas que reativam o culto da manifestação violenta originam-se precisamente de alguns dos acadêmicos-ativistas daquele tempo, hoje repaginados como mestres grisalhos do movimento antiglobalização.
    Os Black Blocs anunciam um “badernaço nacional” para o 7 de setembro. Mas o “badernaço” intelectual começou antes, na forma dessas piscadelas cúmplices para idiotas vestidos de preto que rebobinam um desastroso filme antigo.

    Demétrio Magnoli

    Fonte: O Globo, 15/08/2013

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    • Alex

      16/08/2013 #8 Author

      Colocar o Baader-Meinhof num artigo sobre o Black Block mostra que Demetrio Magnolli nao faz a minima ideia de quem foram os Baader Meinhof e mostra quão reaça é o cidadão na sua tentativa de criminalizar ao máximo da apelação o grupo de pano na cara, além de desinformado.

      Tivessem esses guris do BB qualquer tipo de ligação intelectual ou ideologica, pot menor que fosse, com o Baader e seus principios, e não tinha sobrado pedra sobre pedra no páis nestes dois meses de protesto. Alguns dos próceres da corrupção nacional já teriam sido devidamente executados.

      Sugiro a ele o verbete do grupo na Wikipedia em português, que na verdade oficialmente se chamava Fração do Exército Vermelho, que é de otima qualidade.

  • Reginaldo Magno de Sá Jr

    16/08/2013 #9 Author

    Tradicionalmente o supremo acompanha o relator, e também, segue tradicionalmente o Presidente da Corte. Neste caso o vice presidente da corte esta,é e sempre será contrário ao presidente Joaquim.
    A pergunta que não quer calar é: Quem é esse Levandowsky? Quem o indicou ao supremo. E o que fazia antes como magistrado? Com certeza sua biografia anterior ao Supremo deve demosntrar com mais clareza quem é esse senhor tão Polido?

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  • Big Head

    16/08/2013 #10 Author

    Putz! Só agora descobri o retorno do blog, louvável trincheira. Feliz em saber da vitória nos tribunais e mais ainda em poder ler os combativos posts. A diatribe contra a tal Marcha das Vadias estava ótima, assim como o relato-manifesto contra os Black Blocs. Por sinal, a penca de chavões que esse povo usa pra justificar o injustificável é um espanto.

    Parabéns. Folgo em ter o blog como leitura diária novamente.

    Abs

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    • Fábio Pannunzio

      16/08/2013 #11 Author

      Eu estava sentindo a sua falta, Big Head. Muito obrigado pelo seu retorno. Um abraço.

  • Geraldo

    16/08/2013 #12 Author

    Hitler era polido! Suas biografias demonstram que ele beijava as mãos das mulheres..,, nao comia carne, era um anfitrião perfeito no ninho das águias! O magistrado nao deve fazer cortesia com chapéu alheio. Quanto mais, para combater bandidos, ricos ou nao. O pais exige jurisdição célere. Esta na lei.

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  • salete

    16/08/2013 #13 Author

    O Presidente do STF é comandante de todo o Poder Judiciário. O cargo exige serenidade, imparcialidade e fidalguia no trato com as pessoas. Joaquim Barbosa tem vários predicados mas os três que declinei não são o seu forte. Francamente!

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  • MarceloF

    16/08/2013 #14 Author

    Fábio,
    de fato, o que desmoraliza o judiciário é absolver os culpados e condenar inocentes. O resto é bobagem.
    sobre essa mais recente discussão BarbosaX Lewando, o presidente da corte deveria ter respondido ao vice com a frase célebre de Rui Barbosa, na Oração aos Moços: “Justiça que tarda não é justiça”. O Brasil tem pressa de ver os mensaleiros na cadeia. Não vai resolver tudo, mas será um bom começo.
    Espero que os ministros petistas (Lewando, Tofiofóli, Barroso…) não atrapalhem.
    Sds.,
    de MarceloF.

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  • Dona Maria

    16/08/2013 #15 Author

    Nesse caso especificamente comcordo que JB tenha tentado defender a Justiça. Mas questionaria a conduta de um juiz que aceitasse cortesias de um apresentador de tv, que incluíssem benesses profissionais ao seu filho. Se isso acontecesse (ou tiver acontecido) ele seria (ou é) igual ao colega com quem ontem se digladiou.

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  • Júlio Oliveira

    16/08/2013 #16 Author

    O Lewandovsky está agindo em defesa de teses que possam atenuar a pena de alguns amigos… ele tá se lixando pro Bispo, quer mesmo é livrar a cara do Papa… se é que me entende…

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  • Sueli Leite Brisighello

    16/08/2013 #17 Author

    Não gosto da postura dele. Não acho que é adequada ao cargo que ocupa.
    Muito destemperado pro meu gosto.
    Ele podia dizer o que queria de modo mais educado.
    Acho uma vergonha.

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  • Joseph Nahir

    16/08/2013 #18 Author

    Ridículo. Trata-se de um julgamento do supremo. Se houve informação falsa no acórdão, é direito dos réus rever esta questão. O JB errou feio, de forma primária, ao situar a data dos atos que o supremo definiu como delitos Esta não é uma questão besta. É uma questão de direito e que, portanto, afeta o Estado de Direito.

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