As sacolinhas e a ética do lixo em SP

Não foi apenas a Braskem. Quatro outros fabricantes de embalagens plásticas também fizeram contribuições ao diretório do PT durante  campanha em que Fernando Haddad se elegeu prefeito de São Paulo. No total, as doações dessas empresas somaram R$ 437 mil. Além dessas empresas, apenas o Banco Safra integralizou doações à campanha paulistana por intermédio do diretório do Partido dos Trabalhadores.

sacolinha
A contrapartida veio rápido. No dia 5 de janeiro a Prefeitura de São Paulo atendeu ao lobby dos fabricantes de embalagens plásticas ao regulamentar a chamada Lei das Sacolinhas. O decreto foi feito com o objetivo de permitir algo que a norma legal proibia expressamente — a distribuição de sacolinhas pelo comércio varejista.

A lei 15.374/11, editada pelo prefeito Gilberto Kassab, simplesmente proibiu a distribuição de sacolas plásticas aos consumidores. Ao regulamentá-la, no entanto o atual prefeito transformou uma proibição expressa em uma autorização seletiva: “Consideram-se sacolas reutilizáveis (…) as sacolas para coleta seletiva de resíduos sólidos domiciliares secos que atendam às especificações a serem definidas pela Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB”.

E que sacolas seriam essas ?

As que a Braskem julgou serem as melhores para… Ela própria! Sacolas fabricadas com 51% de polietileno proveniente da cana-de-açucar e 49% de polietileno de petróleo. Que são absolutamente iguais àquelas que foram proibidas na gestão Kassab. E que agora retornam disfarçadas de embalagens ecológicas, quando não são. Que voltam reclassificadas como reutilizáveis, quando a única reutilização possível é o descarte do lixo. Ou seja: exatamente como eram as sacolinhas proibidas na gestão passada. Com a única diferença de que as sacolas de agora custam quase três vezes mais do que as anteriores — R$ 0,08 por unidade contra R$ 0,03 no passado.

E como se sabe que a Braskem foi quem definiu onde a população iria acomodar as compras de supermercado ?

Porque o projeto de criação das novas sacolinhas foi executado por uma ONG chamada Greening Innovative and Sustainable Solutions. E essa ONG ostentava em sua homepage na internet os logotipo da própria Braskem em sua galeria de patrocinadores. E também a logomarca de um selo de certificação criado pela Braskem para atestar que certos produtos desenvolvidos com sua matéria-prima se enquadram dentro de critérios de sustentabilidade ambiental que ela mesma estabelece. Dias atrás, os dois logotipos desapareceram da galeria de ‘sponsors’. Misteriosamente.

A Prefeitura alega que não há problema em ter recebido e encampado o modelo das sacolinhas proposto pela ONG da Braskem. Mas não explicou até agora como a entidade apareceu numa reunião dentro do gabinete do Secretário de Serviço, Simão Pedro, no dia 14 de novembro de 2014, um mês e meio antes da expedição do decreto que regulamentou a lei de Kassab. Também não explica por que trecho inteiros do decreto parecem ter sido escritos pela mega-corporação de química fina. Alega também que não há dinheiro da empresa na campanha que elegeu Haddad.

O que, aliás, não é verdade.

Doadores interessados

Na contabilidade direta do candidato realmente não há o registro de um único real da Braskem na campanha de 2012. Mas quando se verificam as doações feitas ao diretório municipal do PT, aí sim, aparece o dinheiro. Se você observar a tabela retirada do site do TSE (acima), vai perceber que:

– Houve cinco grandes financiadores nessa relação. Um deles é o Banco Safra, que fez doações por intermédio de três pessoas jurídicas diferentes (Safra Leasing, Safra Participações, Safra Seguro e Previdência e Banco Safra).

– Todos os demais financiadores pertencem à cadeia das sacolinhas: a própria Braskem, a ATP Indústria de Plásticos, a Plastquatro Indústria e Comércio de Plásticos  e a Polien Embalagens Flexíveis. Juntas, elas doaram R$ 437 mil. Isso corresponde a pouco mais de um terço dos recursos arrecadados pelo diretório municipal do PT, que totalizaram R$ 1,187 milhão. Pelo caixa-um, é bom que se frise.

Não é difícil entender o interesse desse segmento na candidatura Haddad. Era natural que, acossados pela lei restritiva de Kassab, eles fossem buscar um ponto de entrada em outro candidato. Alguém mais dócil, menos hostil, capaz de assegurar sua sobrevivência num mercado bilionário em que cada brasileiro consome 59 sacolas por ano para levar as compras do supermercado até em casa. Difícil é entender a negativa da Prefeitura ao que parece óbvio: que ela sucumbiu ao lobby das sacolas. Porque parece óbvio demais.

Quem apresentou a Greening aos interessados no assunto foi o próprio secretário Simão Pedro, que ganhou a vaga no primeiro escalão porque coordenou a campanha de Haddd. Isso aconteceu no dia 14 de novembro. Quando os convidados chegaram para a reunião, foram apresentados à Greening pelo próprio Simão Pedro. E foi também o secretário que avisou: “Esses caras têm a solução para o problema”.

Com o representante da ONG estava não apenas o layout das novas sacolinhas. Havia também protótipos prontos, mocapes de sacolinhas exatamente como elas são hoje. Alguns dos presentes à reunião não entenderam de onde havia saído aquilo. Nem que proveito o município, o meio-ambiente e o munícipe/consumidor tirariam do ovo de Colombo apresentado por aqueles estranhos ao assunto.

O fato é que, um mês e meio depois, a cidade foi surpreendida por um decreto que em muito remete a conceitos que a própria Greening repete em seus ensaios. O discurso comercial da entidade acabou criando bordões que se transformaram em mantras da atual administração, ou em justificativas para o injustificável.

Até aqui, não parece haver nada de ilegal em toda essa transação. Mas há muitos problemas de natureza ética. A Prefeitura diz que não houve dinheiro público no negócio. Mas não se importou em impor ao consumidor paulistano um ônus de oito centavos por sacolinha para fazer suas compras. E ninguém explica como surgiu essa ONG na mesa presidida pelo secretário — e da qual faziam parte também o secretário de meio-ambiente e o então presidente da AMURB.

Comentários

6 thoughts on “As sacolinhas e a ética do lixo em SP

  1. Tu estás chegando agora no bonde das sacolinhas plásticas já queres sentar na janelinha ?
    Pergunte ao Zé Paulo de Andrade, que tempos atrás vociferou muito sobre a tentativa da APAS que entre outros financiou a campanha eleitoral do Geraldinho tucanalha ao governo do estado.
    A APAS estava e está por trás da tentativa, naquela época frustrada, de enfiar goela abaixo o não fornecimento gratuito das sacolinhas pelos supermercados; o que gerou protestos da população pois já está incluso nos custos dos produtos a famigerada sacolinha.Muitos consumidores compraram nos supermercados as sacolas reutilizáveis mas a maioria achou e acha uma safadeza política e comercial pagar duas vezes para levar os produtos para casa. O resultado foi que o consumidor passou a consumir menos e a APAS,Kassab e Geraldinho deram uma arrefecida na tentativa do GOLPE.Aliás, a DIREITALHA OS grandes empresários e a mídia golpista da qual tu fazes parte, estão sempre tentando dar golpes nas esquerdas e na população mais humilde deste PAÍS !
    O zé paulo passou semanas descendo o pau na apas, no geraldinho falta d’água e no kassab e agora tu chegas, repito,querendo sentar na janelinha e deturpando toda a história, ACUSANDO O HADDAD E O PT, só para mostrar sua intolerância pelo PT e a esquerda e contentar seus velhinhos saudosos dos tempos da direitalha no poder, milicos e também tentando fazer o “profissionalmente político correto, o popular puxa saco , para o patrãozinho saad ?
    Se manca. Tu aparentemente, tens capacidade para mais do que esse papel sórdido de lambe botas e “caneta vendida”; bastava fazer um jornalismo sério, imparcial,honesto,sem omissões, ilações e apartidário ; óbvio num veículo também imparcial, mas não no PIG -band,globo,abril,sbt,folha,estadão e outras porcarias de direita que só sabem mamar nas testas do governo pois sem as propagandas e informes publicitários do governo, todos eles já estariam falidos. Aqui em SP, quem os salva é o PSDBESTAS que renova todo ano as aquisições das revistas, veja,estadão,folha e outros lixos da panini, globo e etc., para distribuir ( KIPALHAÇADA) nas escolas públicas; envenenando, atrasando,alienando e estagnando a inteligência e formação sócio,político,cultural, educacional de nossas crianças e adolescentes.
    Pensem bem, tu e o Rafael Colombo pela inteligência que têm e se não tivessem “lado”poderiam ser ótimas cabeças pensantes e atuantes na futura mídia brasileira. Pena que não saibam disso ou não querem enxergar; talvez por mêdo ou comodismo.
    Alcem voos mais altos, rompam com este sistema secular de casa grande e senzala. Essa velha mídia e tvs abertas, brevemente irão sucumbir dando lugar a internet; os mais jovens mas não tão jovens assim, já não assistem e nem se informam mais pela e tv e rádio, pois na WEB eles tem tido e terão muito mais poder de escolha e fatalmente irão se informar tanto na direita como na esquerda para formarem assim uma opinião mais clara e próximas da realidade.
    Desculpem-me pelos impropérios mas nós brasilerios já estamos cansados dessa mesmice de todo dia e toda hora sermos confundidos com informações,deturpadas,tendenciosas e comentários parciais e esses golpes tipos de mensalão da esquerda é roubo da direita é caixa 2 e tudo bem, lava jato que só lava no lado esquerdo alegando que o lado direito está “limpo”,TRENSALÕES que pasmem ,não existem e etc. outras pilantragens e roubalheiras Endeusam Moros e Barbosas, o primeiro recebe honrarias de sonegadores como a globo e com esposa assessora de TUCANALHA; o segundo, arruma emprêgo para o filho na globo, achava que era o paladino da “justiça” , dono do STF e tinha carta magna própria para fazer o que quisesse. Fora o apartamento de miami para ficar bem longe das imbecilidades que fez dentro da toga e com aval dos incautos cidadãos que mal sabem os horrores judiciais que esta dupla de “paladinos” fizeram e fazem NESTE PAÍS.
    Petistas e esquerdistas não são santos e devem se verdadeiramente culpados,baseados em provas e não em”delações premiadas” e teorias absurdas de “domínio de fatos” ,encarcerados de acordo com a lei . Também sou contra a vergonhosa seleção de TUCANALHAS que pelos mesmos olhos da justiça e da MÍDIA GOLPISTA, são sempre santos, inimputáveis, que não compraram votos para PEC da reeleição de fhc, mesmo com a confissão na mesma mídia de deputados que disseram terem recebido da tucanalhada R$ 200.000,00 cada um para votarem a favor da hoje maldita reeleição presidencial que como tiro que saiu pela culatra, acabou dando até agora, quatro mandatos (16 anos ) ao PT.
    E o Aócio Neves que recebeu mensalão verdadeiro de R$ 100.000,00? e os R$ 10.000.000,00 para o psdbestas para barrar cpi de petrobrás?
    Um abraço e se tiverem juízo, sucesso.
    Podem publicar este meu desabafo com quem quiserem e arquivem-no para no futuro darem mais uma lida.
    Rodolphu Dias
    Tem mais abaixo, passa para o rafael bandicida e para as ironias dele quanto à PÁTRIA EDUCADORA, o link:
    http://br29.com.br/aluna-do-ciencia-sem-fronteiras-desmascara-reportagem-da-globo-tudo-mentira-sensacionalismo/

  2. Que seja aberta uma CPI para investigar, sendo os responsáveis devidamente punidos. Jamais defenderei quem realmente for culpado, sou contra que apenas um lado seja investigado. Quando todos, sim todos os governantes independentemente de partidos, forem investigados igualmente, vou acreditar que a corrupção pode ser reduzida!

  3. Não é estranho duas empresas que não estão estabelecidas em São Paulo contribuírem para campanha para prefeito de São Paulo? A Plastiquatro e a Polien estão em Passa Quatro / MG e Guarulhos / SP respectivamente.

  4. Prezado senhor Fábio Pannunzio,
    Quem redigiu a resolução 55 da AMLURB que regulamenta as sacolas foi o Sr. Chicko Sousa da Greening. Incrível não é, em suas apresentações do tal polietileno de origem renóvável a Braskem indica este percentual de 51%. NÃO EXISTE norma que defina este percentual que é de livre decisão da Braskem.
    Além disso não se vê a Braskem desmentir as bobagens que se falam sobre a suposta biodegradabilidade, sustentabilidade etc. Quanto às outras empresas fabricantes de sacolas, isso não configira cartel, visto que poucas empresas estão tendo acesso a este material?
    Tem muito mais e convido a ler:
    http://www.i-ideais.org.br/admin/arquivos/1431093400.pdf
    http://www.i-ideais.org.br/admin/arquivos/1421084590.pdf
    http://www.i-ideais.org.br/admin/arquivos/1421677976.pdf
    http://www.i-ideais.org.br/admin/arquivos/1423073204.pdf
    http://www.i-ideais.org.br/admin/arquivos/1423744888.pdf
    http://www.i-ideais.org.br/admin/arquivos/1424279997.pdf
    http://www.i-ideais.org.br/admin/arquivos/1430749272.pdf

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