Tratar com gente séria é outra coisa. E, creia, ainda há alguns — poucos! — senadores sérios dando expediente em Brasília. Eles estão meio...

Tratar com gente séria é outra coisa. E, creia, ainda há alguns — poucos! — senadores sérios dando expediente em Brasília. Eles estão meio fora de moda, mas ainda existem. E são muito diferentes da hegemonia oportunista e pragmática que tomou o poder na Casa.

O exemplo de seriedade do dia é o senador Marco Maciel, um homem que de tão estrito no cumprimento de suas obrigações tem até um porte físico modesto.

Na noite desta quarta-feira, ao ser procurado pela repórter Fernanda Muylaert para confirmar a informação de que seria dele o assessor que recebeu integralmente salários enquanto esteve preso, Marco Maciel, não tergiversou, não se esquivou e, mais importante, não mentiu, como é praxe entre os que têm enfrentado acusações nos últimos meses.

Além de admitir que o problema realmente existiu, Maciel, que não se lembrava mais com precisão dos detalhes, assegurou que medidas saneadoras haviam sido tomadas assim que o caso foi descoberto.

Hoje, com mais dados, a assessoria do senador pernambucano apresentou o nome e as circunstâncias em que o desvio ocorreu. E forneceu todas as informações sobre providências que foram adotadas na época em que se constatou o problema.

Marco Maciel também não é porteiro do Senado. Foi enganado por seu sub-chefe de gabinete. Mas, ao contrário do que fez Renan Calheiros, não se furtou em assumir as responsabilidades que lhe cabiam.

É preciso lembrar que foi o próprio Renan Calheiros quem alardeou da tribuna a existência desse caso. Não com o sentido de denunciar ou aprimorar o processo administrativo, mas com o objetivo de amalgamar-se à geléia geral em que quer transformar o Senado apenas para que sua conduta não pareça constituir uma anomalia moral.

Também não custa relembrar outro exemplo de correção recente. Acuado pela denúncia de que autorizou um de seus assessores a estudar na Espanha enquanto recebia normalmente o pagamento, Arthur Virgílio, líder do PSDB, não mentiu, não tergiversou, não tentou escamotear a verdade. Assumiu o pecado, vendeu patrimônio e parcelou o valor pago indevidamente. Restituiu ao Senado aquilo que era devido. E estabeleceu um padrão de conduta que poderia ter se tornado um paradigma para casos semelhantes.

Com o comportamento errático de Renan Calheiros, constata-se que infelizmente não há norma ética aplicável essa banda podre do Senado. Para os que não são como Marco Maciel eArthur Virgílio só há uma solução: é o eleitor dar um cartão vermelho e devolver aos grotões essa gente, que não merece ocupar as cadeiras mais nobres da República.

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