Márcio Falcão O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), já apresentou sua defesa à Corregedoria do Senado sobre a denúncia de que teria abrigado irregularmente em...

Márcio Falcão

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), já apresentou sua defesa à Corregedoria do Senado sobre a denúncia de que teria abrigado irregularmente em seu gabinete 15 manifestantes favoráveis à libertação do ex-ativista italiano Cesare Battisti. No documento, Suplicy questiona o trabalho da Polícia Legislativa –que relatou o fato para a primeira secretaria– e afirma que “faltou sensibilidade humana e espírito público” dos policiais.

Suplicy relatou que os manifestantes que utilizaram seu escritório na noite do dia 9 de setembro –véspera do julgamento do pedido de extradição do italiano no STF (Supremo Tribunal Federal)– estavam acompanhadas dos senadores José Nery (PSOL-PA) e João Pedro (PT-AM) e não causaram nenhum dano material ao Senado.

“As pessoas não adentraram ao Senado sozinhas. A par disso, o andamento do caso, dado pelo Chefe da Segurança do Senado, denotou, na minha avaliação, falta de sensibilidade humana e de espírito público. No caso em questão, penso que teria sido próprio que os responsáveis pela segurança tivessem dialogado com as pessoas da vigília e, no caso de dúvida, deveriam ter telefonado para mim, pois, de pronto, informaria que as pessoas estavam por mim autorizadas. Interessante notar que quando cheguei ao gabinete, no dia seguinte, tudo estava limpo e em ordem”, disse o petista.

A Mesa Diretora do Senado decidiu hoje encaminhar o fato para a Corregedoria investigar se houve irregularidades. O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), disse que o episódio não é grave, mas o considerou “delicado” por abrir precedentes para que outros parlamentares abram seus gabinetes durante a noite.

Suplicy disse que não cabe à Polícia do Senado analisar a atitude dos senadores. “Todos sabemos que cada senador é senhor do seu gabinete, podendo receber nele qualquer pessoa que seja do seu interesse. Considero que não cabe à Segurança do Senado acompanhar, analisar e criticar a atitude de senadores, principalmente quanto estes estão no cumprimento de seus deveres fundamentais”, afirmou.

Ao anunciar que encaminharia o caso para a Corregedoria, Heráclito ironizou as explicações de Suplicy, uma vez que, segundo relato da Polícia Legislativa do Senado, os manifestantes ingressaram por volta de 0h15 da véspera do julgamento e pernoitaram no local –chegando a espalhar colchonetes.

“Só se todo mundo comeu comida estragada, porque 15 pessoas passarem a madrugada toda para usar o banheiro, isso está mal explicado”, disse.

A Polícia do Senado alega que a ocupação foi irregular por ter sido fora do horário de funcionamento da Casa. “Alguns manifestantes a favor de Cesare Battisti, que se encontravam acampados em frente ao Supremo Tribunal Federal, se deslocaram para acampar no Senado Federal, mais precisamente no interior do gabinete do senador Eduardo Suplicy”, afirma o documento.

Julgamento

O STF suspendeu, na semana passada, o julgamento da extradição para a Itália de Battisti após pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello. Até a suspensão, quatro ministros tinham considerado ilegal o refúgio político e, com isso, abriam caminho para a extradição de Battisti para a Itália. Outros três ministros votaram contra a extradição.

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