É preciso terminar a faxina

eduradocunha_alvoEm duas semanas provavelmente o Brasil estará sendo governado diretamente pelo PMDB. O partido manda nas duas casas legislativas e mandará também no Executivo. Sem intermediários.

O Brasil terá Michel Temer na Presidência, Eduardo Cunha e Renan Calheiros na sua linha sucessória. E, comenta-se nos bastidores de Brasília, todos conspirando pela salvação recíproca.

Eduardo Cunha é réu desde o dia 3 de março, quando o STF aceitou denúncia contra ele. De acordo com o Art. 86 da Constituição, está impedido de assumir a Presidência na ausência de Temer.

Renan Calheiros ainda não é formalmente réu. Beneficia-se da suprema lerdeza do STF, o tribunalzão que odeia condenar — mesmo investigar — políticos.

É provável que defenestrar Eduardo Cunha não esteja entre as prioridades de Michel Temer. O presidente da Câmara controla uma bancada três vezes maior do que a do PT. São cerca de 200 votos certos em benefício de tudo o que Cunha deseje: da deposição de uma Presidente da República à absolvição sumária do patrono do impeachment.

Se Cunha não deixar a Presidência da Câmara (o que hoje constitui uma hipótese plausível) e conseguir chegar incólume ao fim de seu mandado, em fevereiro do próximo ano, estará provado que a faxina iniciada com a deposição de Dilma não era para valer.

A biografia do presidente da Câmara, sua folha corrida, não enaltecem nem honram uma Nação enfarada da corrupção. O recado dados pelas ruas é claro: o Brasil não tolera mais o roubo deslavado.

Cunha é o símbolo máximo da corrupção na política. As evidências que se amontoam contra ele demonstram de maneira cabal 0 gosto do deputado carioca pelo alheio.

O conjunto de malfeitos já descobertos, o volume de contas no exterior, a quantidade de dinheiro bloqueada em paraísos fiscais dão ao Congresso um mote para cassar seu mandato muito mais consistente do que as pedaladas fiscais no processo que rapidamente correu contra Dilma Rousseff.

A manipulação de expedientes parlamentares para chantagear empresários, a desfaçatez nababesca na distribuição familiar do butim, as contas caríssimas de seus parentes e agregados pagas com dinheiro da PETROBRAS, tudo isso o coloca na linha de tiro da opinião pública.

Resta ao congresso demonstrar que é capaz que de algo que até o momento não está claro: que também age movido por algum altruísmo ou patriotismo. O que se viu até agora foi apenas a demonstração cabal de que Eduardo Cunha consegue o que quer dos colegas.

Quem abriu o caminho para afastar Dilma Rousseff deve demonstrar agora que tudo o que aconteceu não trata apenas de uma vingança pessoal. Que era uma necessidade do País em benefício da moralização da política, e não apenas a consecução de uma vingança.

Mas isso ainda está para ser provado.

O que se viu até agora é que, se Eduardo Cunha quer, acontece.

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