O presidente Temer poderia ter escolhido a outra maneira de começar. Escolheu a errada. Sua primeira providência foi constituir um governo reaça, branco e...

batatasO presidente Temer poderia ter escolhido a outra maneira de começar.

Escolheu a errada.

Sua primeira providência foi constituir um governo reaça, branco e misógno. Sem mulheres, sem negros, sem nada de contemporaneidade. Cheiro de mofo e teia de aranha. Um governo novo que já nasceu com as rugas de um ancião cansadíssimo.

Que foi buscar seus primeiros auxiliares nas listas de investigados da Operação Lava Jato. Teve que demitir três ministros recém-contratados.

Demitiu um amigo que pretendia fazer ministro da Justiça antes de nomeá-lo. Na AGU, colocou um advogado que perde prazos. Teve que trocar, abrindo finalmente espaço para a primeira mulher em sua equipe (Dona Marcela ainda não conta).

Aí começaram os protestos de rua. Lógico. As pessoas não queriam mais do mesmo. Botaram a Dilma para fora porque ela fechou os olhos para a roubalheira. E o que fez Michel Temer ? Chamou a rua para a briga: viu só quarenta pessoas na Paulista.

“Ao vencedor, o Largo da Batata”, diria Machado de Assis. No dia seguinte, lá estavam cem mil — ou quinze mil, como queira, porque só 40 é que não eram. E aí veio a polícia black-bloc do Alckmin e baixou a borracha. Arruaça de farda.

Tá querendo o quê, meu ?

Quando a gente pensa que o estoque de cagadas acabou, aparece um sujeito aí, um tal Ronaldo Nogueira, e faz um estrago gigantesco naquilo que deveria ser uma das grandes bandeiras do governo. Trata-se do ilustríssimo e desconhecidíssimo ministro do Trabalho. O que ele disse ? Que o governo Temer iria propor a volta da escravidão.

Bem, não foi exatamente isso o que ele anunciou. Mas falar em aumento da jornada de trabalho para 12 horas por dia em meio a tanta desconfiança, é certo que não ajuda.

Olha, eu torço para que esse governo tampão consiga encaminhar soluções para aquilo que se propôs e prometeu ao País: resolver a crise da economia.Senão, estamos bem f…

Mas do jeito que vai, já começo a duvidar.

Porque não é lícito supor que um cidadão medianamente esclarecido possa ter complacência ilimitada, admita tantas besteiras, tantos erros crassos, ainda que em nome do soerguimento da Pátria arrasada.

E já começo a temer, não pelo Temer, mas por todos nós que esperamos do comandante segurança no timão (estou falando do “volante” do barco, e não do Coringão).

Se já não era mais possível conviver com a falta de massa crítica da Dilma, o mínimo que se pode exigir do governo é que pare com essas temeridades que têm pautado os dias dos tementes ao Temer.

Tem que mudar um monte de coisas.

 

Porque, se não mudar, o povo volta pra rua e faz mudar tudo de novo.

 

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