Hoje não quero falar de política. Vou ensinar uma receita italiana

pizzaDepois de ver Lula se comparando a Tiradentes, Jesus Cristo, JK e Getúlio acordei com vontade de escrever sobre outra coisa que não política. Porque ninguém merece perder tempo com tanta verborragia, com tanta falta de humildade. Maior ícone da política contemporânea, Lula construiu uma narrativa digna dos grotões. Decidi que não iria me ocupar disso.

Hoje quero falar de gastronomia. Para poupar seu tempo e a sua dignidade. Afinal, legumes, peixes e temperos cheiram muito melhor e dão muito menos trabalho do que a falastronice de certos políticos. Especialmente daqueles que se julgam melhores do que os garotos dos concursos, que cultivam a antiintelectualidade como um valor e que acham que os políticos são honestos porque renovam seu “emprego” a cada eleição.

Talvez fosse mais adequado nominar a prostituição como a mais pura das profissões, uma vez que as profissionais desse ramo renovam seus empregos a cada programa — um ritmo de purificação muito mais intenso, portanto, do que os concursos eleitorais quadrienais.

A comida tem uma relação com a estética e a arte. A política, não, porque as conspurca com o grotesco e o mau-gosto. Dela dependem também nossa disposição e nosso preparo físico. Digo isso porque Lula prometeu ir a pé para a prisão caso a Lava Jato comprove que ele é corrupto. Se entendesse de nutrição, eu poderia indicar a ele alimentos saudáveis e adequados para enfrentar a pé os 400 quilômetros que separam São Bernardo do Campo de Curitiba, onde ele irá cumprir pena caso seja condenado. Mas não sou especialista nem em preparação de atletas, nem em nutrição. Então, recolho-me à insignificância dos meus parcos conhecimentos gastronômicos.

Comer alegra e faz bem ao espírito. Faria muito bem a Lula, sob esse aspecto, comer para afastar a tristeza que tantas lágrimas produziu durante seu comício de ontem. Lágrimas que enterneceram o País — as mesmas que brotaram dos olhos do ex-senador Gim Argello quando teve de se defrontar com o juiz Sérgio Moro para explicar seus malfeitos.

Mas não quero falar de lágrimas, e sim de alegria. Daí a minha preferência por um mote gastronômico no post de hoje. Alegria como a dos procuradores da Lava Jato que, após produzirem uma acusação desprovida de provas, viram no ex-presidente uma defesa igualmente desprovida de argumentos jurídicos.

É o típico caso da emenda que desqualifica o soneto — o que explica minha recusa em tratar de política neste post, e minha preferência pela gastronomia como tema para orientar estas linhas. Posso dizer que uns e outros se mereceram — e que a defesa articulada por Lula fez jus à alegada falta de provas da acusação. Assim, está tudo justo e ajustado.

Voltando à gastronomia, quero falar do orgulho que toma conta do cozinheiro quando seus comensais, ao final de um lauto almoço ou jantar, elogiam a comida. Orgulho parecido com o que o nosso imenso ex-presidente se referiu à sua grande obra — o Partido dos Trabalhadores, descrito por ele como o maior partido de esquerda da Confederação das Galáxias. Uma obra memorável.

Faltou apenas dizer que esse mesmo partido foi o patrono do maior escândalo de corrupção de toda a Via Láctea nos últimos 14 bilhões de anos. Lula não criou apenas o maior partido de esqueda do sistema solar — criou também a maior máquina de corromper a política desde o Big Bang. Mas disso não se deve falar, assim como não se deve falar do cabelo encontrado adornando a obra de arte culinária de um grande chef de cozinha.

Em função disso tudo, decidi que vou revelar a receita do prato que meus amigos mais admiram na minha cozinha. É uma receita herdada dos meus bisvós italianos que vem sendo passada de geração em geração. Trata-se de uma autêntica pizza napolitana.

Para produzí-la basta ter farinha de trigo, água, fermento, sal, tomates e algum recheio.

Misture a água, a farinha e o sal ao fermento e sove até desgrudar das mãos. Divida a massa em quatro bolas para cada quilo de farinha e deixe fermentar até dobrar de tamanho. Bata os tomates crus no liquidificador. Quando a massa estiver fermentada, abra-a em formato de disco, espalhe o molho e sobre ele ponha o recheio. Asse em forno de lenha a 400 graus de temperatura.

O processo todo leva umas três ou quatro horas. Se você achar que é muito tempo e trabalho, há duas alternativas. Chame um delivery ou preste atenção ao noticiário político.

Pizzas são uma especialidade do reino da gastronomia, mas não faltam, no campo da política, especialistas na mais italiana de todas as iguarias.pizza

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