TJ de São Paulo libera o massacre policial

massacre-carandiru-facebook-infoEstou passado com a decisão de três desembargadores da Quarta Câmara do Tribunal de Justiça de São Paulo de anistiar os serial killers do presídio do Carandiru. Limito-me a citar apenas um deles — o mais contundente na defesa da barbárie: Ivan Sartori, que até há pouco presidia o colendo TJ.

Pois bem. O digníssimo desembargador, com 24 anos de atraso, melou as sentenças exaradas em cinco julgamentos diferentes contra os 74 assassinos que promoveram o chamado Massacre do Carandiru. E foi além: recomendou enfaticamente a absolvição dos assassinos, liberando a execução sumária em série para a PM, que sem isso já é uma das mais violentas do planeta.

A decisão de Sartori justifica e explica o péssimo conceito de que a Justiça goza em nosso Estado. E amplia e muito a desconfiança que a sociedade nutre pelas razões que animam a cabeça sempre misteriosa dos nossos surpreendentes magistrados. Ela simplesmente conspurca o processo civilizatório.

O prejuízo que será legado para o futuro pela decisão de Sartori e seus colegas de toga é imensurável. A começar pelo sentido de falência do sistema judicial, que permite a assassinos de farda julgar, condenar e executar a pena capital, que os homens com assento no TJ estão impedidos de aplicar por uma clara vedação constitucional. Ou seja: com ela, os desembargadores de SP provam sua desnecessidade, já que coonestam os julgamentos sumários feitos por carrascos de farda.

É graças a homens como Sartori que nos encontramos onde estamos.

E também é graças a gente como ele, tão desconectada da realidade, que talvez estejamos condenados a permanecer onde estamos.

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