#foratodos!

O sentido que emana da primeira das quase 80 propostas de delação da Odebrecht é um só: estamos nas mãos de uma organização que, a partir do PMDB, com a deposição de Dilma Rousseff, se mudou para a Presidência da República para assaltar o País.

Uma organização que opera de maneira hierarquizada e organizada, com um ‘know-how’ muito bem sistematizado, cuja expertise vai se reproduzindo em analogias facilmente verificáveis em dois dos três Poderes
.

Na linha de frente estão os operadores mais atrevidos. No Senado, Romero Jucá; na Câmara, Eliseu Padilha. Eles atuam em sintonia com outros operadores/distribuidores de dinheiro de propina como Moreira Franco, Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha, que agiam em seu próprio nome e também em nome de terceiros.

Secundados por estes estavam os grandes chefes do esquema, que segundo o delator Cláudio Filho eram Renan Calheiros, Eunício Oliveira e Michel Temer. Este último chegou a usar as instalações do Palácio do Jaburú para, num jantar de ricos esmoleres, solicitar R$ 10 milhões ao denuciante.

Sobre isso, Cláudio Filho afirma o seguinte: “Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião”.

Ele também voltaria à residência do então vice-presidente para relatar que Graça Foster havia indagado sobre a distribuição de dinheiro da empreiteira para gente do PMDB.

Os detalhes escabrosos do esquema explicam por que Temer tem tanta dificuldade em se livrar das más companhias de Jucá, que foi banido do Ministério do Planejamento para reaparecer na liderança do governo no Senado, e Geddel, cujo comportamento em relação ao prédio embargado de Salvador chegou a ser considerado mera questiúncula pelo núcleo do governo.

Com os papéis de cada um dos membros dessa organização bem definidos pelo relatório quase literário do ex-lobista da Odebrecht, é imperativo dar ao problema o tratamento que ele merece. É imperativo iniciar os procedimentos para afastar essa gente do Poder.

Atolado até a medula na corrupção a na falta de legitimidade, o governo provisório dá sobejos sinais de fraqueza política. O Presidente da República viu sua escassa popularidade ser corroída pela crise enquanto sua debilidade para organizar o próprio gabinete vai ficando mais evidenciada a cada nomeação desfeita, a cada demissão vexaminosa que Michel Temer é obrigado a aceitar.

O País está quebrado. A crise política está a exigir o restante de energia institucional, que vai sendo drenada a cada hora por episódios estranhos como o atrito entre o Legislativo e o Judiciário. Não sobra nada para o soerguimento da economia, que está comatosa. Por esta razão os resultados não aparecem.

O nível de entropia interna no Palácio do Planalto chegou ao ponto máximo. Sem a condição moral mínima para iniciar a restauração da imagem do governo perante a população, e dependendo apenas de relações de natureza pouco republicana para se sustentar no Congresso, é de se supor que o governo Temer vai entrar em colapso, se que isso ja não se verifica.

É preciso isolar essa elite corrupta que manda no País, afastá-la do Poder e acelerar o ajuizamento das ações penais para punir exemplarmente quem tiver culpa por esse descalabro. É preciso sepultar a cultura do jeitinho, da esperteza e do patrimonialismo.

O Brasil já não aguenta mais essa gente sórdida a assaltar as esperanças da Nação e tem mecanismos de superação dentro de suas instituições. Com a palavra o STF e o TSE, que tem nas mãos a ferramenta adequada para resolver o problema com a cassação da chapa Dilma/Temer.

Se isso não for feito logo, não será apenas a economia que restará destroçada. O que está em risco hoje é o esgarçamento das nossas instituições.

Comentários