Carnição: Carne fraca, alma corrupta

Responda rápido: o que une os escândalos do Mensalão, Petrolão e o Carnição?

A resposta é óbvia: a corrupção.

Foi ela que botou abaixo a maior estatal brasileira, a PETROBRAS; a maior empreiteira do País, a Odebrecht; e agora os maiores conglomerados frigoríficos do mundo.

Não há mais como não enxergar que o que precisa ser vigorosamente combatido no Brasil é essa velha prática secular de comprar e vender atalhos em qualquer ramo da atividade econômica. Ela matou a velha política, destroçou as finanças e arrasou as nossas instituições. Agora mancha indelevelmente nossa reputação e bota nossa autoestima ao pé do chão.

Observe agora a área de interseção entre todos esses escândalos. Os protagonistas são sempre os mesmos. Eles estão abrigados no PMDB e no PP, estrelas de todas as denúncias, e se espalham pela malha de partidos que orbitam ao redor desse núcleo central. É sobre esses atores que os interessados no soerguimento da imagem, da economia e da política brasileiras devem  estreitar o foco.

E quem está fazendo isso neste momento ? A força-tarefa da Lava Jato, a Justiça Federal e a Polícia Federal. Ou seja: uma ou duas centenas de brasileiros apenas, enquanto todos os demais se dividem entre observadores passivos (milhões) e agentes da resistência.

Os agentes da resistência são pouco numerosos, mas muito poderosos. Eles mandam no País. São gente como Michel Temer, que abre palácios para tomar dinheiro dos grandes corruptores, Renan Calheiros, Romero Jucá, Eduardo Cunha etc. Empenhadíssimos em construir corredores para os interesses dos grandes grupos empresariais privados, tentam barrar bravamente qualquer impulso de mudança.

Diante desse quadro, todo mundo sabe o que precisa ser feito. Para que a corrupção pare de destruir o que restou, é preciso acabar com ela. É urgente exterminar a complacência de juízes eleitorais que conspiram a favor de quem faz caixa-dois; é preciso parar de nomear os velhos ladrões de sempre para cargos-chaves da República. É urgente tomar a chave do cofre da mão dos bandidos. É imperativo tirar essa gente do Poder.

E para isso não pode haver piedade nem qualquer tipo de leniência. É preciso destruir e velho para que o novo desponte. Botar na cadeia quem precisa ser preso. Execrar quem ter que ser execrado. Se a erva daninha da corrupção não for vigorosamente combatida, a semente da decência não germina. E tudo vai continuar como sempre foi.

A carne é fraca, a alma é corrupta. Mas é preciso exorcizar os encostos que nos mantêm presos num ponto pretérito qualquer do processo civilizatório. É preciso que o Supremo saia de sua lerdeza imperial. Que os bons que restaram no parlamento apareçam e digam a que vieram. Que o eleitor pare de mandar ladrões para Brasília.

Porque a alternativa a isso, já sabemos qual é:

Continuar comendo carne podre.

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