A grande biqueira da política e a cura do vício em dinheiro

Para os políticos brasileiros, o dinheiro é mais adictivo do que o crack. O fraco por grana jogou a velha elite política nas cordas.  As velhas raposas não podiam ver uma uma nota de cem dólares que logo se assanhavam, feito viciados em drogas pesadas.

A dependência de dinheiro as transformou em prostitutas decadentes. Fissuradas pelo bereré dos traficantes das empreiteiras, criaram um sistema de burocratas-radares para não deixar passar uma oportunidade sequer de obter o dinheiro alucionógeno.

Foi assim que os adictos do PMDB avistaram a possiblidade de tomar US$ 40 milhões da Odebrecht Industrial. Informados por apaniguados-aviões plantados nos becos da burocracia, os caciques do partido logo trataram de interceptar uma transação anterior, feita por amadores do segundo escalão do propinoduto, e dela se assenhoraram, como fazem os donos ds biqueiras.

Os fornecedores de propina agiam como age qualquer traficante. Providenciavam maletas recheadas de estupefacientes monetários, mas cobravam caro pela droga. Só o REFIS da Crise valeu aos mortos-vivos da corrupção passiva R$ 50 milhões. O lucro dos money-dealers foi de R$ 2 bilhões.

Os dependentes, por sua vez, agiam como age qualquer viciado: se necessário, assaltariam até a casa paterna para conseguir saciar suas necessidades mais abjetas. Por isso há doentes morrendo nos hospitais, escolas caindo aos pedaços e universidade famélicas nesse cenário de Walking Dead em que a adicção pela grana transformou nosso País.

Existe tratamento para isso ?

Sim, existe. O primeiro passo consiste em isolar os doentes e cuidar para que eles mantenham distância do dinheiro público. Essa tarefa cabe primeiro ao Poder Judiciário, que tem competência para encarcerar os que têm um comportamento antissocial mais pronunciado. E depois ao eleitor, que é quem vai afastar definitivamente o adicto do contato com as drogas da política.

Mas tudo isso pode gerar como consequência reações extremadas, típicas das síndromes de abstinência. Políticos viciados em dinheiro podem ter atitudes violentas. Alguns deles, inclusive, já estão tentando estuprar a legislação penal, amordaçar juízes e anistirar a si próprios. Na  entressafra da grande biqueira chamada Brasil, ameaçam assaltar diretamente a poupança da família para assegurar o fluxo da droga com a instituição de um fundo partidário bilionário.

Depois, há que se reformar o sistema, criando-se mecanismos que impeçam que os nóias de colarinho branco cheguem de novo às bocas-de-fumo da política. É a etapa mais difícil de todo o processo e pode tomar o esforço de três gerações. Esse trabalho terá que ser iniciado por gente imune à epidemia de descaramento patrimonialista que assalta a seara da política.

E aí fica  pergunta: quem no Brasil tem condição de assumir esse papel ?

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