Michel Temer chegou ao poder sem votos e com a pecha de golpista. Ele nunca foi um político popular. Seu melhor momento eleitoral foi...

Michel Temer chegou ao poder sem votos e com a pecha de golpista. Ele nunca foi um político popular. Seu melhor momento eleitoral foi em 2002, quando obteve 252 mil votos para deputado federal.

Da última vez que disputou uma eleição proporcional, no entanto, passou raspando, com 99 mil votos. Foi o quinquagésimo-quarto mais votado parlamentar do Estado.

Se, por um lado, nunca foi bom de voto, Temer conseguiu, com seu cacife, se transformar num parlamentar importante. Bem articulado e resistente a cenários de crises, conseguiu presidir a Câmara três vezes e o PMDB cinco vezes. E por essa injunção, chegou à condição de vice duas vezes na chapa de Dilma Rousseff antes que a corrupção do PT e suas engendrações  derrubassem sua ex-companheira.

Por mais paradoxal que pareça, foi justamente essa aberrante impopularidade que se transformou no principal trunfo de Temer no governo. Sem um projeto eleitoral, ele não gestava, ao menos não publicamente, o sonho de voltar pelo voto ao lugar em que chegou pela articulação do impeachment.

O que vai definir a longevidade dele agora não é a irritação da população nem o senso moral do cidadão comum. O Brasil tem hoje uma democracia perfeita que ainda funciona a despeito da condição de paciente terminal em que se encontra seu principal mandatário.

Os adversários dizem que ele respira por instrumentos. Mas o Congresso vai, aos trancos e barrancos, cumprindo uma agenda mínima de votações. Só esta semana foram aprovadas seis medidas provisórias e a reforma trabalhista, o segundo projeto mais ambicioso do governo, conseguiu avançar no Comissão de Assuntos Econômicos.

Temer não representa a si mesmo, e sim a uma agenda conservadora de reformas que só mesmo um presidente com seus defeitos poderia bancar.

O elemento determinante será, no plano político, a reforma da previdência social. O tema é uma espécie de tabu que tem representado um problema para a história.

Os parlamentares aliados temem que ele não tenha mais força para enfrentar essa batalha porque perdeu o apoio do PSB e do PPS, que somam 44 votos. Ele teria hoje, pelas contas dos próprios aliados, algo como 250 votos no máximo, o que lhe deixa muito distante dos 308 de que necessitaria para completar seu projeto.

Um um marco referencial muito importante a enfrentar nos próximos dias: Ele vai ter que passar incólume pelo julgamento do processo do PSDB contra a chapa Dilma-Temer no TSE, o que é considerado uma epopeia. Mas basta que um único ministro peça vista do processo para que Temer ganhe uma sobrevida na cadeira mais importante do País.

Se você quer saber até onde chegará Michel Temer, observe o comportamento do PSDB. O momento da queda será aquele em que os parlamentares tucanos decidirem que não vale a pena morrer abraçados a um político estigmatizado pela corrupção e matizado pela falta de apoio popular.

Por enquanto, vale o provérbio: tudo sempre termina bem.

Se não parece bem, e porque ainda não terminou.

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