Há dois conflitos dividindo opiniões em Brasília neste momento. Um deles se passa exclusivamente dentro do Congresso Nacional. O outra vai do Congresso ao...

Há dois conflitos dividindo opiniões em Brasília neste momento. Um deles se passa exclusivamente dentro do Congresso Nacional. O outra vai do Congresso ao Palácio do Planalto.

Um dos temas é a ampliação da meta de déficit para este ano. De um lado está a ala política do governo, que quer ampliar para R$ 170 bilhões a meta do déficit fiscal. Do outro, a equipe econômica, que quer por fim aos gastos perdulários com a compra de apoio fisiológico no Congresso.

Ampliar a meta possibilitaria descontingenciar emendas parlamentares, e é nisso que os deputados e senadores estão interessados.

O outro conflito coloca partidos grandes contra pequenos, e políticos bons de voto contra a nata do rebotalho congressual. O assunto em questão é o sistema de votação que deve vigorar nas próximas eleições.

Os famosos e bem posicionados defendem o distritão, que vai permitir a eleição dos mais votados, independentemente dos votos obtidos pelas legendas. Mas a grande maioria dos deputados depende sim dos votos na legenda. Tem gente ali que se elegeu com minguados dez mil, vinte mil votos, no arrasto de campeões de votos como o palhaço Tiririca.

O distritão aquele sistema que tem o objetivo declarado de obscurecer a vontade presumida do eleitor de renovar e oxigenar o parlamento. Vai favorecer os mais conhecidos. Por isso, tubarões e bagrinhos agora se engalfinham numa guerra fratricida.

Por isso a reforma política vai atrasar. É um conflito muito bem-vindo. Dele pode talvez sair alguma produtiva para o eleitor.
Mas, por enquanto, os dois conflitos desvelam uma triste e reiterada realidade.

Eles deixam claro que cada um puxa a brasa para a sua sardinha. E ninguém está nem aí para o que realmente importa, que é o o cidadão brasileiro.

Comentários