Se a ideia de constituir um fundo de R$ 3,6 bi para financiar as próximas eleições persistir, a bolada requerida pelos ávidos deputados e... Bolsa-Eleição vai custar ao País um Aeroporto de Congonhas

Se a ideia de constituir um fundo de R$ 3,6 bi para financiar as próximas eleições persistir, a bolada requerida pelos ávidos deputados e senadores vai jogar no lixo um patrimônio equivalente ao Aeroporto de Congonhas, com cuja privatização o governo espera arrecadar entre R$ 3,5 e 4 bilhões.

A Câmara tentou sem sucesso votar as emendas constitucionais que instituirão as regras para o próximo pleito. Mas a falta de acordo e as críticas da sociedade à prodigalidade dos parlamentares impediram que o assalto ao bolso do contribuinte fosse levado a efeito.

Ontem mesmo o deputado Vicente Cândido, relator da reforma eleitoral na comissão especial, recuou em relação ao valor proposto para esse fundo. Ele sugeriu R$ 2 bilhões seriam suficientes para saciar a sanha por dinheiro dos congressistas. Disse esperar que impere o bom-senso. Cândido, todavia, não explicou por que decidiu apresentar a cifra anterior, que ele defende desde o início das discussões da reforma.

A outra proposta que divide os parlamentares é a adoção do chamado Distritão, que extermina a proporcionalidade nas eleições parlamentares. Os deputados com mais acesso à mídia, mais conhecidos do eleitorado e mais antigos ficam teoricamente em vantagem sobre os mais novos, que temem não ser reeleitos se não tiverem o empuxo do voto na legenda.

Certo e evidente  é que a discussão está centrada apenas nos interesses e conveniências dos próprios políticos. A própria instituição do Distritão tem o claro objetivo de obscurecer a suposta vontade do eleitor de renovar a Congresso, assegurando aos atuais detentores de mandato mais um período de sobrevivência na seara da política.

A despeito do processo estar ainda em discussão, é certo que, com os ingredientes escolhidos pelos deputados e senadores, não se fará uma boa receita para quem realmente importa nesse processo — o eleitor. E se o resultado for o que se anuncia e se espera, vai demorar ainda muito tempo para que o cidadão restaure a confiança na política.

Caso isso não aconteça, todo o esforço da sociedade, todo o ímpeto privatista do governo, tudo isso estará fadado ao fracasso. A instituição da bolsa-eleição vai custar um Aeroporto de Congonhas até que as urnas sejam fechadas. Mas a má qualidade dos políticos que serão eleitos com o Distritão certamente sairá muito mais cara.

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