O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo vai investigar as supostas fraudes em processos de adoção de crianças por cardeais da Igreja... Justiça de SP vai investigar denúncias de fraude nas adoções da IURD em Portugal

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo vai investigar as supostas fraudes em processos de adoção de crianças por cardeais da Igreja Universal do Reino de Deus em Lisboa, Portugal. A decisão foi tomada pelo juiz Iberê Dias, da Corregedoria do TJ, após tomar conhecimento denúncias da TVI de Portugal e do Consórcio de Jornalistas The Universal Truth.

Uma fonte do órgão afirmou que “está adotando as medidas necessárias para aprofundar as investigações, inclusive quanto à tráfico de outras crianças pelo mesmo expediente”.

A iniciativa da Corregedoria foi pautada pela descoberta de uma certidão de nascimento falsa, produto de uma declaração fraudada ao Cartório do Registro Civil de Biritiba-Mirim, na Grande São Paulo, feita pelo número 2 da hierarquia da IURD, o bispo Romualdo Panceiro.

Ele e sua mulher Márcia ficaram com um dos três irmãos retirados sem autorização da mãe do Lar de Camarate, em Lisboa, casa de amparo que a IURD mantinha na capital de Portugal. Os outros dois irmão dele foram entregues à filha mais nova do bispo Macedo, Viviane Freitas, que após três anos desistiu das crianças. Segundo  a baby-sitter do casal, eles vinham dando trabalho excessivo e provocando desgaste na relação do casal.

Márcia Panceiro chegou a enviar uma carta em que denunciava fraudes nos processos de adoção de crianças pela cúpula da IURD. Mas as autoridades portuguesas jamais se interessaram em investigar o assunto.

A decisão da Corregedoria do TJSP é a primeira iniciativa brasileira que visa apurar o que aconteceu com ao menos nove crianças que foram retiradas da Casa de Camarate e adotadas por bispos e pastores da IURD em processos eivados de irregularidades.

A primeira providência da Corregedoria será pedir ao cartório de Biritiba-Mirim uma relação de todos os nascimentos declarados sem a devida comprovação da ocorrência de um parto, ou sem a apresentação de uma Declaração de Nascido Vivo, documento emitido pelo hospital ou pela parteira que assistiu o nascimento da crianças. Os jornalistas envolvidos na investigação acreditam que esse cartório pode ter sido usado para “esquentar” outras adoções fraudulentas.

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