A Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia Nacional da República de Portugal decidiu, na manhã de hoje, enviar para análise do plenário uma petição... Legislativo português começa a investigar adoções de crianças por bispos da IURD

A Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia Nacional da República de Portugal decidiu, na manhã de hoje, enviar para análise do plenário uma petição de iniciativa popular que pede a criação de uma comissão para investigar os processos fraudulentos de adoção de crianças portuguesas por bispos da Igreja Universal do Reino de Deus.

As denúncias sobre as irregularidades foram feitas pela série de reportagens O Segredo dos Deuses, da TVI de Lisboa. Nela, as repórteres Alexandra Borges e Judite França demonstraram que ao menos nove crianças foram retiradas  de um lar que a IURD mantinha em Camarate, Lisboa, sem autorização das mães.

A suspeita é de que os processos de adoção foram embasados em documentos falsos para prejudicar as genitoras dessas crianças. Uma das mães, que teve seus filhos subtraídos pela  Segurança Social por não ter com quem deixá-los quando ia trabalhar, foi estigmatizada  como soropositiva  e dependente química, quando na verdade é completamente saudável, a ponto de ser doadora regular de sangue.

A exibição da série de reportagens mobilizou mães de família em todo Portugal. Indignadas, elas criaram o Movimento Verdade para redigir a moção e conseguir as quatro mil assinaturas necessárias para apresentá-la ao parlamento português. Com isso, obtiveram o dobro do mínimo exigido para apresentação  da moção — mais de oito mil assinaturas.

A Comissão de  Assunto Constitucionais estabeleceu um prazo de 60 dias para que o plenário discuta a moção e decida pela criação de uma comissão parlamentar para investigar as adoções. A deliberação de hoje representa, efetivamente, o primeiro passo para o inicio da investigação parlamentar.

A relatora da moção deputada do PSD Teresa Morais. Agora, a petição subirá a plenário depois do agendamento em conferência de líderes. Para abrir a comissão de investigação (equivalente português as CPIs brasileiras) será necessário o apoio de um quinto dos deputados.

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