O diretor do Departamento da América Central e Caribe do Ministério de Relações Exteriores, Gonçalo Mourão, foi categórico ao afirmar que não houve qualquer antecipação...

O diretor do Departamento da América Central e Caribe do Ministério de Relações Exteriores, Gonçalo Mourão, foi categórico ao afirmar que não houve qualquer antecipação de diálogo entre o presidente Lula e o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, para que o hondurenho pudesse se alojar na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Segundo Gonçalo, o abrigo político na área foi feito depois que a mulher de Zelaya apareceu ontem na embaixada brasileira para perguntar se a estadia do marido seria bem aceita. “Naturalmente, ao chegar e pedir abrigo, nossa obrigação histórica era de estabelecer o asilo, e isso através de um diálogo passivo e construtivo”.

A versão vai ao encontro da declaração da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, que disse hoje que o Brasil não deu qualquer cobertura a Zelaya.

Para Gonçalo, a escolha de Zelaya pela embaixada do Brasil aconteceu porque “Zelaya encontrou no país respaldo firme nas posições serenas do Brasil com relação a Honduras”.

O representante do Itamaraty foi ouvido na reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado. A convocação extraordinária aconteceu principalmente em razão do cerco feito pelo exército hondurenho à embaixada brasileira.

Ainda de acordo com Gonçalo Mourão, “as relações diplomáticas com Honduras não estão cortadas”. “Todos os países da União Europeia retiraram seus embaixadores de Honduras porque não reconhecem o governo de direito”, contou ao afirmar que o Brasil se inclui nesta lista.

No entanto, os últimos acontecimentos têm gerado constestações por parte de diversos parlamentares presentes ao encontro. Houve quem comparasse o Brasil a uma “República de Bananas”. “O Brasil não merece esse reconhecimento. Isso é uma degradação ao respeito que o Brasil tem recebido de outros países”, contou um dos políticos.

Já o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), defendeu que o país tenha uma visão democrática única sobre a situação. “Queremos sem dúvida a volta da estabilidade democrática de Honduras. Mas o que não podemos é deixar que Zelaya transforme a embaixada brasileira em seu escritório pessoal e em palanque como tem feito”.

O ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL) foi além. “O Brasil não me parece o parceiro mais adequado para encaminhar qualquer acordo neste sentido”, reiterou.

Zelaya foi deposto pelo exército de Honduras no final de junho com o apoio dos poderes Legislativo e Judiciário do país, sob o argumento de que ele estava atentando contra a constituição hondurenha ao tentar forçar a realização de um plebiscito considerado ilegal sobre a possibilidade de se reeleger. Depois de deposto, Zelaya foi expulso do país, abringando-se ontem na embaixada brasileira situada na capital.

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *