A equipe que cuida do marketing da ministra Dilma Roussef está preocupada com a terceira sessão de quimioterapia. É quando, segundo a equipe médica, os...

A equipe que cuida do marketing da ministra Dilma Roussef está preocupada com a terceira sessão de quimioterapia. É quando, segundo a equipe médica, os efeitos do tratamento começam a se tornar evidentes. Ela deve sofrer um aumento de peso pela retenção de líquidos e pode perder boa parte do cabelo. A ministra tem enfrentado com galhardia a fase inicial do tratamento. Mas a evidência dos efeitos colaterais está sendo dimensionada positivamente pela assessoria, como se isso fosse possível. É incrível como a política deixa as pessoas insensíveis.

Tem gente que está comemorando o aparecimento dos efeitos. Pelo menos um dos assessores o faz ostensivamente, esquecendo-se do desconforto e mal-estar que a quimioterapia vai causar à chefe da Casa Civil. Esse assesor, em um almoço hoje, em Brasília, teve a coragem de dizer que a imagem de Dilma depauperada vai acrescentar pontos à campanha recém-iniciada. Isso seria consequência de sua determinação em enfrentar a doença davastadora. Dilma ganharia em votos o que perde de tempo de vida. Sua agonia em praça pública seria prova de sua determinação.

Não entendo qual é a vantagem. Como pode alguém supor que um paciente com câncer pode ganhar quando se mostra mais frágil ?

Parece uma equação simples, mas muito perversa. Dilma seria apresentada ao eleitorado como uma guerreira. Daí a sugestão de criar um mote para expô-la neste momento de sua vida. O apelido seria exatamente esse: Guerreira.

Resta saber como essa pessoa, que torce pelo evidenciamento dos sintomas do tratamento, pretende explicar ao eleitor que vantagem haveria em votar em alguém com essa doença, cujo prognóstico é sempre preocupante ao extremo.

Talvez fosse melhor, ou ao menos um pouco mais humano, respeitar o momento em que os quimioterápicos não são ministrados com o propósito de produzir um estereótipo, e sim de agregar uma chance de vida com boa qualidade a alguém que padece.

A política é desumana. Mas em Brasília tudo passa dos limites. Até o mórbido senso de oportunidade de gente que ganha para projetar estratégias funestas e de péssimo gosto como essa.

O problema é que, segundo fontes muito bem posicionadas, a própria Dilma  parece estar confiante de que a doença pode lhe trazer dividendos eleitorais. Seria o primeiro caso de câncer linfático do planeta saudado como uma coisa positiva.

Pode?

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