O clima de indefinições e incertezas vivido por Honduras desde a volta do presidente deposto Manuel Zelaya ao país há pouco mais de uma...

O clima de indefinições e incertezas vivido por Honduras desde a volta do presidente deposto Manuel Zelaya ao país há pouco mais de uma semana motivou uma nova reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado. Para a audiência desta terça-feira, o convidado foi o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.

No encontro, Amorim voltou a afirmar que as autoridades brasileiras não sabiam das pretensões de Zelaya de ocupar a embaixada em Tegucigalpa. “Quando o presidente [Zelaya] disse que entrou na embaixada em comum acordo, ele disse a verdade. Mas eu também falei a verdade sobre o fato de que, em momento algum, nós sabíamos que Zelaya estava voltando ao país”. O pedido de asilo no território brasileiro na capital de Honduras aconteceu, segundo o ministro Celso Amorim, meia hora antes da efetiva ocupação do local.

Para Amorim, a situação de Honduras é “única, especial e sinngular nas relações internacionais”. “Não me lembro de um governo de facto que tenha sido tão unanimemente condenado. Toda a comunidade americana, através da Organização dos Estados Americanos (OEA), e toda comunidade internacional, através da Organização das Nações Unidas (ONU), negaram reconhecimento ao golpe. É uma situação sui generis”, disse ao reiterar que os brasileiros precisam de paciência para aguardar as próximas definições da ONU e da OEA.

O ministro contou ainda que fez diversas advertências ao presidente deposto para que não houvesse violência e para que a paz fosse mantida na região. “Embora não possamos cercear o presidente de fazer uma manifestação, temos tentado pregar a calma”. “O Brasil defende uma solução rápida e pacífica para este impasse. E rápida sobretudo porque senão ocorrerão eleições altamente contestadas e constestáveis”. Atualmente, Honduras tem convivido com o governo de facto e interino de Roberto Michelleti.

De acordo com o líder tucano Arthur Virgílio (AM), a grande preocupação hoje é com a forma como o Brasil tem sido visto por abrigar Zelaya. “A democracia está em perigo e o Brasil vem sendo visto como protagonista e não como um mediador ou negociador”. O democrata Agripino Maia (RN) pensa na mesma linha. “A população hondurenha aclama a atitude do presidente Lula de dar abrigo a Zelaya e o compara a um herói. Mas minha preocupação não é com isso e sim com o que o mundo tem achado do governo brasileiro”.

Amorim rebateu. “É preciso compreender o momento emocional. Zelaya foi um presidente legítimo que foi deposto e pediu abrigo”. “Temos que entender que o que está em jogo é o destino da democracia na América Latina, onde não toleramos golpes de estado”. “O papel que conhecemos hoje não foi um papel escolhido por nós. Nós queremos ser símbolo do desejo da comunidade internacional de manter a paz”, disse ao enfatizar que não abrigar Zelaya poderia acarretar na “prisão, na morte ou em uma revolução por parte do presidente deposto de Honduras”.

Para o líder petista Aloizio Mercadante (SP), qualquer tipo de violência na região deve ser condenado, assim como todo tipo de ameaça do governo hondurenho para com o Brasil. “Não foi o Brasil que escolheu Zelaya e sim o presidente eleito legitimamente que escolheu o Brasil. Precisamos fazer um apelo para instalar um processo de diálogo”.

Zelaya foi deposto e expulso de Honduras em junho deste ano. O governo interino de Michelleti cobra um posicionamento do governo brasileiro em até dez dias. Caso contrário, ameaça deixar de reconher a embaixada do Brasil como território brasileiro em Tegucigalpa e invadi-la.

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *