Do Terra Magazine Diego Salmen Depois de ter seu requerimento de instalação lido nesta quarta-feira, 30, a CPI do MST foi cancelada por falta...

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Diego Salmen

Depois de ter seu requerimento de instalação lido nesta quarta-feira, 30, a CPI do MST foi cancelada por falta de assinaturas. Até ontem, a bancada ruralista, responsável pela proposta de investigar os sem-terra, contava com cerca de 190 rúbricas na Câmara; ao todo, são necessárias 171 para instalar a comissão mista de inquérito.

No entanto, o protocolo do Congresso estabelece que os parlamentares que desejam retirar seu apoio podem fazê-lo até a meia-noite do dia da leitura do requerimento. Foi o que aconteceu nesta quarta-feira.

Nesse período, em meio a um intenso vai e volta de adesões, somente 168 deputados mantiveram suas assinaturas – três a menos do que o exigido.

Um dos articuladores da proposta, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), atribui o cancelamento à postura de alguns colegas. “Membros da bancada pecuária e ruralista se portaram de maneira indigna, porque retiraram a assinatura por causa da pressão do governo”, critica.

Contrário à CPI, o senador João Pedro (PT-AM) considera a tentativa de investigar o Movimento Sem-Terra como uma forma de “perseguir os trabalhadores do campo”. A oposição acusa o governo de repassar dinheiro público a uma organização que “beira a guerrilha urbana”, na definição de Lorenzoni.

O senador petista rebate. “É um movimento atrasado, de direita, na tentativa de intimidar o MST e de criminalizar os movimentos sociais. E, ao mesmo tempo, encontrar algum problema para vincular ao governo”, diz. “Nesses últimos três anos o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) não repassou recursos ao MST”, afirma.

Agora, se quiser criar uma nova comissão para investigar o MST, a oposição terá de refazer todo o processo de coleta de assinaturas. Lorenzoni espera protocolar um novo pedido de CPI em até 15 dias. “Agora será mais fácil, porque já sabemos com quem podemos confiar”, diz.

Presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) foi procurada pela reportagem, mas não pôde falar sobre o assunto.

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