O aquecimento do mercado interno garantiu o bom desempenho dos bens de consumo duráveis e assegurou, em agosto, expansão de 1,2% na produção industrial...

O aquecimento do mercado interno garantiu o bom desempenho dos bens de consumo duráveis e assegurou, em agosto, expansão de 1,2% na produção industrial em relação a julho, o oitavo aumento consecutivo na comparação com o mês anterior. Uma trajetória tão longa de expansão nessa base comparativa não era apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 2004.

Porém, os resultados no confronto com 2008 prosseguiram negativos, e a queda de 12,1% no acumulado de janeiro a agosto é o pior resultado para o período desde 1976. Ante igual mês de 2008, a produção caiu 7,2%. Para a economista da coordenação de indústria do IBGE, Isabella Nunes, os dados “confirmam que o processo de recuperação da indústria continua”.

Ela destacou também que houve redução no ritmo de queda da produção comparativamente a igual mês do ano anterior. O recuo de 7,2% observado em agosto de 2009 ante agosto de 2008 – a décima taxa negativa consecutiva nessa base de comparação – foi a menor desde novembro do ano passado.

De acordo com Isabella, com o resultado de agosto a produção industrial acumulou aumento de 13,5% ante dezembro de 2008, auge dos efeitos da crise sobre o setor. Mas permanece 10,2% abaixo do nível recorde de setembro de 2008. Para ela, apesar do processo de recuperação, a crise para o setor “só terá passado quando for retomado o patamar de setembro.”

Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, a trajetória industrial continua sendo de recuperação, mas a reação poderia ser mais rápida e intensa se houvesse uma contribuição maior do cenário econômico internacional. “O ritmo de crescimento do setor segue relativamente lento e uma aceleração desse processo depende de um fortalecimento do setor externo, que, por sua vez, está relacionado à consolidação de um quadro mais firme de crescimento da economia mundial.”

Isabella também avalia que a recuperação industrial está sendo puxada pelo mercado interno e uma contribuição maior das exportações acentuaria esse processo de melhora, até mesmo para as categorias que estão mostrando reação mais lenta, como bens de capital.

O analista da Tendências Consultoria Integrada Bernardo Wjuniski avalia que os dados de agosto revelam “uma expansão mais sólida da indústria”. Segundo ele, “as perspectivas são positivas para os próximos meses, com a continuidade do crescimento e menor concentração em setores específicos”.

Ainda de acordo com Wjuniski, “essa retomada está associada aos incentivos promovidos pelo governo, ao afrouxamento da política monetária e à própria melhora do cenário econômico”. Ele alerta, porém, que “a recuperação deve ser gradual, principalmente nos setores mais dependentes da demanda externa, que ainda deve demorar para retornar a patamares elevados”.

Os analistas projetam queda em torno de 7% na produção industrial em 2009, com recuperação mais acentuada no ano que vem. Isabella destaca que a queda de 8,9% acumulada em 12 meses representa um resultado negativo recorde na pesquisa.

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