Dono da produção de mais de 80 filmes, Luiz Carlos Barreto é uma espécie de coronel do cinema nacional. O articulador político do setor...

Dono da produção de mais de 80 filmes, Luiz Carlos Barreto é uma espécie de coronel do cinema nacional. O articulador político do setor ainda produziu o maior sucesso de bilheteria do Brasil, “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976), que chegou a 12 milhões de espectadores –e cansou seu produtor.

“Não aguento mais ouvir: ‘Luiz Carlos Barreto, o produtor de ‘Dona Flor'”, diz Barretão, 81, como é conhecido. Ele é consultor do filme “Lula, o Filho do Brasil”, dirigido por seu filho, Fábio Barreto, e quer usá-lo para “ganhar dinheiro”.

“Quero tirar a minha empresa do vermelho. Em 45 anos de cinema, essa empresa é um botequim que está no vermelho”, afirma. E completa: “Estou me lixando para a eleição, de dona Dilma [Rousseff] ou de quem quer que seja”.

A cem dias do lançamento do longa, em 1º de janeiro de 2010, ele diz à Folha que se sente vítima de “pré-censura” e ressalta que o filme não tem “nenhum vínculo político”.

Folha – O senhor tem afirmado que espera 20 milhões de espectadores para “Lula, o Filho do Brasil”. É um número pretensioso, não?

Luiz Carlos Barreto – O filme parte do princípio dos 5 milhões. Se puder ir a 10, 15, 20… Não é impossível. Nos anos 70, os filmes faziam até 10% da população brasileira. “Dona Flor [e seus Dois Maridos]” fez 12 milhões quando o país tinha 120 milhões [de habitantes]. Hoje, temos 180 milhões. Sonhar em fazer 15, 16, 18 milhões, é um sonho, mas é realizável. Aí é que entra a necessidade de trabalhar fora dos padrões normais, de se lançar um filme fora dos mecanismos normais. Você começa a procurar formas de atrair o público que não tem o hábito de ir ao cinema, de adequar a política de preço às classes de baixa renda.

Folha – Trabalhar “fora dos padrões” inclui usar mecanismos do próprio governo?

Barreto – É absolutamente uma má interpretação dizer que o filme está procurando a máquina governamental. Ao contrário, estamos longe da máquina governamental, das máquinas partidárias. O filme não tem nenhum vínculo político, mesmo porque não se pode fazer um filme político.

Quando você faz promoções, você tem que encontrar os canais. Atrair a classe de trabalhadores, funcionários públicos, aposentados. Se eu quero atrair estudantes, eu vou atrás da UNE. Fomos procurar as centrais sindicais. Elas não são máquinas do governo.

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *