O italiano Alberto Torregiani, uma das vítimas de um dos crimes pelos quais o ex-ativista de esquerda Cesare Battisti é condenado na Itália, pediu...

O italiano Alberto Torregiani, uma das vítimas de um dos crimes pelos quais o ex-ativista de esquerda Cesare Battisti é condenado na Itália, pediu nesta quarta-feira para ser ouvido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que analisa o pedido de extradição feito pela Justiça italiana.

Alberto é filho de Pierluigi Torregiani, que foi morto em frente à joalheria da família, em Milão, e também foi vítima da mesma ação, cometida em 1979. Ele foi atingido por um tiro e ficou hemiplégico.

“Se os juízes não conseguem decidir porque falta alguma informação, eu os aconselho a escutarem também as vítimas. Eles conhecem a história apenas das cartas processuais”, disse Torregiani, retomando um pedido que já havia feito.

Em março passado, ele solicitou ser ouvido pelo Supremo, o que foi rejeitado, já que o STF não prevê depoimentos. Contudo, ele argumenta agora que o “advogado de Battisti pode falar”.

No último dia 9 de setembro, quando o Supremo avaliava o caso, o advogado Luís Roberto Barroso, que defende o italiano, foi ouvido pelos magistrados. “Cesare Battisti é o bode expiatório de uma trama simples. Cesare Battisti não foi sequer acusado das mortes e foi condenado por subversão”, disse na ocasião.

Atualmente, o julgamento encontra-se suspenso, ainda sem nova data, pois o ministro Marco Aurélio Mello pediu vista do processo.

Já o novo ministro, o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, deve ser empossado nas próximas semanas e, se isso ocorrer antes do julgamento, ele poderá se pronunciar.

“Nós estamos prontos para qualquer decisão”, continuou Torregiani que, ao ser questionado sobre a possibilidade de o pedido de extradição ser rejeitado, declarou: “Não creio que seria um bom exemplo da Justiça aos cidadãos”.

Battisti é condenado na Itália à prisão perpétua por quatro homicídios cometidos na década de 1970, quando ele integrava o grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo). Em janeiro passado, ele recebeu do governo brasileiro o status de refugiado político, e agora aguarda a decisão do Supremo, que pode acatar ou não o pedido de extradição feito pela Itália.

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