A Petrobras fez as contas e concluiu que, para fazer frente a investimentos de US$ 174 bilhões previstos em cinco anos –incluindo os projetos...

A Petrobras fez as contas e concluiu que, para fazer frente a investimentos de US$ 174 bilhões previstos em cinco anos –incluindo os projetos de exploração do pré-sal–, precisará ter 64,6 mil funcionários próprios (concursados) em 2013. Em quatro anos, será um aumento de 15,9% no seu quadro.

Ao contrário do que se possa supor, não é nas plataformas do pré-sal que trabalhará a maior parte desses funcionários. “Nos US$ 174 bilhões previstos estão todas as áreas e projetos, como a construção das refinarias”, diz a gerente de planejamento de recursos humanos da empresa, Mariângela Mundim.

Segundo a técnica, o alto custo de deslocamento para as plataformas no pré-sal da bacia de Santos –de 300 quilômetros, contra cerca de 100 quilômetros na bacia de Campos– levará a empresa a buscar uma maior automação de processos, para impedir que a operação fique cara demais.

“A complexidade logística e de segurança nessas áreas é grande. A Petrobras contará com a tecnologia para chegar ao mínimo de habitação nas plataformas do pré-sal”, diz.

Depois de 12 anos sem concurso, as seleções na Petrobras foram retomadas em 2001, quando havia 32,8 mil empregados. Desde então, a empresa conseguiu aumentar seus quadros em 23 mil pessoas, chegando a 55,8 mil. Segundo Mundim, não está descartada a convocação de um concurso ainda neste ano. “A prioridade são as áreas técnicas”, diz.

Os concursos também não terão, por enquanto, foco no reforço das equipes que exploram o pré-sal das bacias de Santos, a mais promissora, e Campos. A ideia da empresa é equilibrar essas equipes, transferindo funcionários mais antigos lotados em outras bacias.

Aposentados

Os planos da Petrobras de chegar a 2013 com 64,6 mil contratados esbarram em um problema: o alto ritmo de aposentadorias na empresa, devido ao envelhecimento da equipe.
Para atingir esta meta, a empresa deveria contratar, do início deste ano até o fim de 2012, 9.500 pessoas, ou 1.900 ao ano.

A julgar pelo ocorrido neste ano, a meta será difícil de atingir: em 2009 foram contratadas quase mil pessoas por concursos, só que cerca de 400 deixaram a empresa para se aposentar. Resultado, o número de funcionários cresceu em menos de 600 pessoas, totalizando 55,8 mil até agora.

O envelhecimento dos quadros da empresa é mais uma dificuldade a ser enfrentada na formação da equipe da companhia. Como a estatal ficou muitos anos sem fazer concursos, criou-se um vácuo de gerações na empresa. Existe um grupo de contratados na faixa dos 30 anos de idade, e outro já acima de 40 anos.

A idade média dos funcionários da Petrobras é de 42 anos. Do total, 8% têm mais de 30 de casa, e a empresa prevê um número crescente de aposentadorias. Entre engenheiros, geólogos e geofísicos, que atuam nas principais atividades da empresa -exploração e produção de petróleo-, a idade média está entre 47 e 49 anos.

Na avaliação da empresa, não há muito o que fazer, além de tentar acelerar as contratações e fazer treinamento intenso dos novos -dado pelos profissionais mais antigos- por até um ano. É a forma encontrada para garantir a transferência de conhecimento dos mais velhos.

Ao fim de cada ano, a Petrobras revê seu plano de investimentos, o que determina uma nova avaliação da necessidade de pessoal. Segundo Mundim, a área de recursos humanos não chegou à fase de revisão ainda. “Tudo pode acontecer, inclusive concluir que não precisamos de 9.000 pessoas.”

Mas, diante do desafio de explorar e produzir no pré-sal -ampliado com a cessão de novas reservas prevista pelo marco regulatório que tramita no Congresso-, há poucas dúvidas de que o número deve, na verdade, crescer mais.

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