O presidente deposto de Honduras, Manoel Zelaya, deu por encerradas as negociações com o presidente de fato Roberto Micheletti. Foi apenas o fim de...

O presidente deposto de Honduras, Manoel Zelaya, deu por encerradas as negociações com o presidente de fato Roberto Micheletti. Foi apenas o fim de um jogo cruzado de múltiplas hipocrisias. Todo mundo sabia que não ia dar em nada.

O assunto já saturou os leitores. Mas o surrealismo da cena política em Honduras ainda merece alguma atenção. Estive lá por três semanas, período em que me ausentei do blog para produzir reportagens exclusivamente para a Rede Bandeirantes.

Agora, em terras brasileiras, vou contar um pouco do que vivemos naquele país centroamericano. E explicar um pouco do surrealismo que faz com que um povo desconfiado da política permaneça praticamente apático diante do rolo institucional que se armou por lá.

Hoduras tem pouco menos de oito milhões de habitantes. Os políticos de lá são ladrões como os daqui. Manoel Zelaya é um homem ridículo — o protótipo de um caudilho chavista que a opinião pública aprendeu a admirar como “presidente de esquerda”, embora seja filho legítimo de uma das mas atrasadas aristocracias do continente.

É corrupto e venal. E também ridículo. Tem por hábito andar secundado por um carregador de chapéu que é a imagem da servilidade. É grosseiro e mandão. Não tolera jornalistas nem fotógrafos que não estejam sob suas ordens.

Quando Lula viajou a Honduras, há um ano e meio, Zelaya foi pessoalmente ao aeroporto para recebê-lo, como é praxe. A questão é que ele chegou duas horas antes. E passou todo o tempo dando ordens aos operários que montavam o palanque onde o presidente brasileiro seria recebido.

Essa visita deu a Lula a marca de herói continental. Lula perdoou uma dívida da qual o Brasil era credor. Virou uma espécie de Simon Bolívar do século XXI.

Pois bem. O povo de Honduras, que se autodenomina “catracho” (fala-se catratcho) estava escaldado pelas aprontações de Zelaya e sua família, pródiga no uso do dinheiro público para fins particulares.

Lá como aqui, os zelaystas diziam que as críticas destinadas ao presidente de sombrero eram coisa da burguesia ensandecida, que não admite que “os pobres” estejam no foco das ações do governo. Tudo bobagem.

Quem deflagrou o golpe foi o partido de Zelaya. Quem está no poder é um companheiro de partido. Não foi um golpe desfechado pela oposição. Mss que foi golpe, isso foi.

As liberdades e garantias individuais foram suspensas. Decretou-se o Estado de Sítio. Houve toque de recolher. A polícia reprimiu duramente as manifestações. Hpuve mortos por balas convencionais. Duas emissoras — uma de rádio e outra de TV — foram militarizadas e permanecem fora do ar.

Mas sobre isso eu vou falar nos próximos posts par não cansar os leitores que, com certeza, de Honduras só querem distância.

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *