O embaixador John Bhiel, representante da Secretaria Geral da OEA em Honduras, deve deixar o país caribenho hoje. A saída de Bhiel, destacado para...

O embaixador John Bhiel, representante da Secretaria Geral da OEA em Honduras, deve deixar o país caribenho hoje. A saída de Bhiel, destacado para acompanhar a crise desde os primeiros dias, cristaliza  o fracasso das negociações em torno da restituição da presidência de Honduiras a Manoel Zelaya.

Bhiel andava esgotado com a falta de seriedade dos dois presidente — o deposto e o de fato — que encerraram o diálogo na tarde desta sexta-feira. Em conversas reservadas com jornalistas, ele já não escondia mais sua irritação e a impaciência. Dizia que havia questiúnculas de caráter pessoal atravancando a busca por uma solução, que os dois interlocutores centrais jamais desejaram. Nas última horas, chegou a defender abertamente a renúncia conjunta dos dois presidentes.

A questão central era a escolha da instituição que deveria decretar a restituição do poder a Zelaya. O presidente deposto insistia em que a última palavra deveria ser do Congresso, que em Honduras é unicameral.

Assessores do governo deposto asseguravam, nos últimos dias, que pelo menos 79 deputados, de um total de 128, lhe dariam apoio. Investido no cargo, ganharia imunidade e não poderia ser preso, como determinam 18 ordens de captura exaradas contra ele pelo Pode Judiciário.

A saída proposta por Roberto Micheletti era bem diferente. Quem deveria autorizar a troca de mando seria o Poder Legislativo, que legitimou a deposição e tem aversão a Zelaya. Com os nove ministro da Suprema Corte ele não teria a menor chance de voltar a ocupar a sala de despachos da Casa Presidencial.

Rompida a negociação, resta a Zelaya encontrar uma saída para o reality-show em que se meteu quando decidiu voltar a Honduras abrigando-se na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Mas ele ainda não disse qual será o próximo passo.

Quem acompanhou as pífias manifestações de rua ocorridas nas últimas semanas sabe que a Zelaya falta apoio popular. O grupo de manifestantes há muito não reune mais de 150 pessoas — e são as mesmas em todas passeatas, protestos e confrontações com a polícia. A apatia não permite a suposição de que esteja em curso uma insurreição armada, como defendem alguns líderes mais radicais da Resistência.

Encantoado na embaixada, onde vive acompanhado por um séquito de mais de sessenta pessoas, Zelaya não tem muito o que fazer para encerrar seu Big Brother Honduras. Ele poderia criar um fato político tentando sair da representação diplomática e deixando-se levar preso pela polícia da ditadura. Mas é improvável que ele se exponha ao risco de permanecer encarcerado por tempo indefinido — até porque é reu em 18 processos e pode permanecer na cadeia se for condenado por corrupção ou qualquer dos outros crimes comuns que lhe são imputados.

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *