Gabriela Guerreiro, da Folha Online. O presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Rolf Hackbart, criticou nesta terça-feira a criação da...

Gabriela Guerreiro, da Folha Online.

O presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Rolf Hackbart, criticou nesta terça-feira a criação da CPI do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Congresso com o objetivo de investigar supostos repasses do governo federal para a organização.

Apesar de a base governista ter firmado o compromisso de indicar os integrantes da comissão, Hackbart disse que não há necessidade de se investigar os repasses de recursos do ministério para entidades rurais.

“Está tudo claro, tudo demonstrado no Siafi [sistema de gastos do governo], no Orçamento Geral da União, a sociedade conhece. Não vejo necessidade nenhuma de CPI”, afirmou.

Questionado se o governo repassa recursos para financiar invasões de terras promovidas pelo MST, Hackbart disse que todos os convênios firmados com entidades sociais “estão de acordo” com a legislação do país. “Todos os convênios são auditados, estão dentro da lei. Onde tiver erro nós estamos corrigindo”, afirmou.

Segundo Hackbart, o Incra firmou convênios com entidades sociais somente para a execução de obras, sem o repasse direito de recursos ao MST –como acusa da oposição. “Nossos convênios são com as entidades para executar os objetos. Os movimentos sociais são responsáveis pelas suas ações”, afirmou.

Os líderes governistas se comprometeram a indicar até hoje, no final do dia, seus representantes na CPI do MST. O governo teme represálias da oposição na votação de projetos do pré-sal, por isso decidiu indicar os representantes da comissão.

A oposição aposta na agenda positiva do governo para reverter a estratégia dos aliados de deixar a instalação da CPI para o ano que vem. Em meio ao período eleitoral, DEM e PSDB temem o esvaziamento das investigações por partidos governistas, por isso cobram a instalação da CPI este ano.

DEM e PSDB acusam o governo federal de repassar recursos para financiar atividades do MST por meio de entidades laranjas. O dinheiro, segundo a oposição, seria utilizado pelo MST para promover invasões de terras no país. O Incra e o Ministério do Desenvolvimento Agrário negam o financiamento à entidade.

Denúncias

O presidente do Incra rebateu pesquisa elaborada pela CNA (Confederação Nacional da Indústria) que aponta que 72% dos assentamentos do país não produzem o suficiente para gerar renda. De acordo com a pesquisa, 37% dos assentados brasileiros vivem mensalmente com no máximo um salário mínimo.

“A pesquisa está mal feita, escolheram nove assentamentos em 3.300, e o próprio Ibope disse que mandaram uma amostra com conceito de assentamento emancipado, que são aqueles antigos de governos anteriores. Então a amostra está viciada, os assentamentos produzem, a agricultura familiar produz”, afirmou.

Sobre a denúncia de que servidores do Incra teriam gasto, somente este ano, mais de R$ 40 mil em diárias e passagens, Hackbart negou abusos na pasta no que diz respeito ao deslocamento dos servidores. O trabalho do INCRA é de campo, é vistoria, é assistência técnica, é construção de casas, de estrada, então ele não é na capital, é no meio rural. Tem assentamentos que tem mais de mil quilômetros da sede”, disse.

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