A porção honesta da população brasiliense sempre lutou contra um estigma. Confundida com as hordas de ladrões que assolam a Capital, é obrigada a...

A porção honesta da população brasiliense sempre lutou contra um estigma. Confundida com as hordas de ladrões que assolam a Capital, é obrigada a ouvir, por onde passa, que em Brasília só tem bandido. As imagens terríveis de Arruda recebendo propina demonstram que o preconceito tem razão de ser.

Mentiroso confesso, Arruda nunca enganou ninguém medianamente informado no Distrito Federal. Seu caráter começou a ser desvelado quando ele imputou a uma funcionária do Senado a responsabilidade pela violação do painel eletrônico quando da votação do impeachment de outro brasiliense da mesma laia, o empresário Luis Estevão.

Arruda chegou ao cúmulo de jurar pelos filhos que não tinha nada a ver com a violação escandalosa. Para logo depois protagonizar um dos mais abjetos espetáculos da cena pública brasileira — o momento em que teve que subir à tribuna do Senado para admitir que realmente tinha feito o que jurara falsamente não ter feito.

Curiosamente, foi com Luis Estevão que Arruda foi se aconselhar ontem, quando as cenas categóricas de corrupção começavam a circular pela internet. Pelo menos é o que Luis Estevão tem dito aos amigos.

Segundo o atual dono do Brasiliense, que circula com uma incrível desenvoltura pelos círculos de poder do DF, Arruda só chora. Não teve ainda coragem de falar uma palavra aos incautos que o elegeram. Mas já decidiu que não vai renunciar. Quer imprimir, com o governo desgovernado que nunca mais vai voltar a comandar, um “ar de normalidade”. Como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse escrachadamente botado a mão na bolada que a camera de Durval Barbosa flagra.

E aguarda o recesso do Judiciário para se manter à frente de sua máquina de fazer dinheiro.

Arruda, esse político minúsculo gravado por seu próprio assessor, pensa que pode resistir à contundência das provas recolhidas pela Polícia Federal. Pensa que pode pode ter a mesma sorte de outros mafiosos que transformaram a política brasileira num sindicato de bandidos.

Se tiver a mesma sorte de outros candangos deslustrados, pode até conseguir terminar seu mandato. No caso dele, no entanto, a porcaria é tão grande — e as evidências são tão explícitas — que o mais provável é que ele troque um próprio público por outro. O Palácio de Águas Claras, sede do governo distrital, pela Papuda, a penitenciária que o aguarda de celas abertas.

Um slogan já circula pelo twitter: Uda, uda, uda…. Arruda na Papuda!

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *