O feriado distrital do Dia do Evangélico esvaziou a tribuna do Senado Federal nesta segunda-feira, mas não impediu que os poucos parlamentares presentes mostrassem...

O feriado distrital do Dia do Evangélico esvaziou a tribuna do Senado Federal nesta segunda-feira, mas não impediu que os poucos parlamentares presentes mostrassem revolta com  relação ao já conhecido episódio do “mensalão brasiliense”. Em gravações feitas por um ex-assessor do governador do Distrito Federal, José  Roberto Arruda e outros políticos da base aliada do governo aparecem recebendo  propina em maços com notas de R$ 50 e R$ 100. Alguns deles, para esconder a verba, acabavam guardando o montante nas próprias meias.

O pedetista Cristovam Buarque, ex-governador do DF, foi um dos primeiros a falar. Pediu desculpas à população brasileira e afirmou estar “profundamente envergonhado” com a situação revelada na última sexta-feira através da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal.

“Peço desculpas por tudo. O enterro ético e moral da política foi o que vimos na televisão, em cadeia nacional”, disse Cristovam.

Segundo ele, os pedetistas definiram hoje em reunião as próximas providências a tomar por conta do ocorrido. Entre elas está a entrega imediata de três cargos ocupados por políticos do PDT e que trabalhavam na pasta da educação local. “A partir de amanhã nenhum deles estará no governo. E isso é muito pouco perto do que precisamos para encontrar o caminho certo”, afirmou.

Ainda de acordo com o parlamentar, diversos pontos vão ser seguidos de agora em diante. O partido vai dar entrada no pedido de instalação de uma CPI na Câmara Legislativa, solicitar a saída do presidente da Casa Legislativa, Leonardo Prudente, pedir o afastamento voluntário do governador José Roberto Arruda, chamar a sociedade civil para uma mobilização e pedir auditoria completa em todas as contas do governo do Distrito Federal.

Durante discurso, Cristovam Buarque foi interrompido pelo senador Mão Santa, que exigiu a criação de uma comissão no Congresso Nacional para apurar os fatos. “A verdade só tem uma e há algo de podre nessa Brasília. Vossa Excelência é responsável e tem obrigação de fazer”, excalmou o piauiense do PSC. “A CPI tem que partir daqui e tem que ser aqui e agora e não amanhã”, disse Mão Santa exaltado.

O pedido foi acatado por Cristovam, que prometeu se mobilizar para colher as assinaturas para que as investigações também aconteçam por aqui.

Já o senador João Pedro (PT-AM), afirmou estar constrangido com os últimos acontecimentos na política brasiliense. “Isso se reflete em todos os políticos. Esse comportamento se reflete em todos os governadores e em todos os parlamentares como um todo”, disse ao sugerir o afastamento imediato do governador. “Agora, os democratas precisam manter coerência e a investigação tem que prosseguir”.

“Acredito que dois milhões de brasilienses vão encontrar uma saída para limpar a lama e a imagem do governo do Distrito Federal”, completou Cristovam.

Diante das circunstâncias, alguns partidos têm cogitado inclusive a antecipação do processo eleitoral. Outras legendas e organismos já defendem o impeachment de José Roberto Arruda que, há nove anos, manchava parte da vida política ao participar da violação do painel de votações do Senado Federal.

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