A tragédia com o avião da Air France pode impactar os negócios da TAM, a maior transportadora aérea brasileira. A empresa baseou quase toda...

A tragédia com o avião da Air France pode impactar os negócios da TAM, a maior transportadora aérea brasileira. A empresa baseou quase toda a sua frota em aviões fabricados pela Airbus. Hoje, a TAM tem 125 aeronaves da indústria francesa, entre eles dezesseis A-330.

As primeiras informações disponíveis sobre o que pode ter motivado o fim trágico do voo AF-447, na semana passada, dão conta de mal funcionamento dos sensores de velocidade do avião. A incoerência nas informações que alimentam os computadores que controlam a aeronave poderia ter provocado uma sequência de falhas que culminou com a queda no Atlântico.

Essas “inconsistências” não constituem nenhuma novidade para a Airbus e para a TAM. Na última sexta-feira, a transportadora emitiu uma nota lacônica informando que “um boletim da Airbus de setembro de 2007 recomendava update no sistema de captação de ar para o velocímetro das aeronaves – procedimento facultativo, que a TAM vem executando desde então em sua frota de A330”.

A companhia não informa quantas aeronaves já passaram pela atualização. Nem de que modelos são os aviões que não estão mais sujeitos a problemas críticos como o que derrubou a nave francesa  porque passaram pelo “update” recomendado há dois anos.

No saguão de embarque dos aeroportos, é notória a ansiedade dos passageiros da TAM após o desaparecimento do AF-447. Eles lembram que uma das causas que contribuíram — ou determinaram — o acidente com o voo 3054, que explodiu ao varar a pista de Congonhas, foi o fato de um dos reversores do PT-MBK estar travado. Embora a companhia tenha afirmado que o travamento não acarretava nenhum risco para a segurança do equipamento, pousos nessas condições foram logo proibidos em pistas curtas como a de Congonhas.

Outros se lembram que a TAM, de forma muito semelhante ao que ocorre agora em relação aos tubos que determinam a velocidade dos aviões da Airbus, também deixou de cumprir uma recomendação da fornecedora que, caso tivesse sido acatada, poderia ter evitado o desastre de São Paulo: a simples instalação de um alarme para avisar os pilotos do posicionamento errado das manetes de aceleração.

Os passageiros têm todo o direito de colocar as barbas de molho. Afinal, o que para a empresa aparece como a possibilidade de economizar na atualização tecnológica de sua frota, para os que viajam pode representar a diferença entre chegar vivo ao destino ou ser vítima de uma fatalidade evitável.

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