Nos últimos dois anos, três casais ilustres foram companheiros frequentes de viagem pelo mundo. Tornaram-se amigos, as mulheres passaram a trocar fofocas e inconfidências....

Nos últimos dois anos, três casais ilustres foram companheiros frequentes de viagem pelo mundo. Tornaram-se amigos, as mulheres passaram a trocar fofocas e inconfidências. A relação que se criou entre os homens desse sexteto é que está pautando o comportamento tímido da cúpula do DEM, cuja executiva se reúne às 16 horas para decidir o que fazer. Os companheiros de viagem — e de política — são José Roberto Arruda, ACM Neto, Rodrigo Maia e suas respectivas esposas.

Será a primeira reunião realmente importante conduzida por Rodrigo Maia. No mais, todas as outras decisões, de acordo com uma fonte do partido, foram para “fritar bolinho”. Desta vez, não. Mais do que o futuro de Arruda, irremediavelmente comprometido, está em jogo o futuro da legenda.

No último sábado, Maia participava em Natal de um encontro das mulheres democratas. Não escondia de ninguém sua aflição em relação aos desdobramentos da crise no DF. “O Arruda é meu amigo. Eu vou visitá-lo”, avisou, antes de tomar o caminho de Brasília.

Ontem, na saída do encontro formal de duas horas que os caciques do DEM tiveram com Arruda, Rodrigo Maia estava transtornado. Não conseguiu fazer uma afirmação categórica sequer. Fugiu dos jornalistas o quanto pode. Rejeitou todos os pedidos de entrevistas e conversas informais que recebeu nas últimas 24 horas. Abriu uma única exceção. Decidiu conceder o almoço a um repórter da Folha.

O trio “arrudista”, reforçado pelo senador Adelmir Santana, do DF, está causando constrangimento a outros parlamentares com seu comportamento dúbio. José Agripino Maia, Ronaldo Caiado, Aleluia, Demóstenes Torres. E não é por acaso.

Quando pediram a Arruda que deixasse a legenda, receberam como resposta algo que os amigos não costumam fazer uns aos outros: uma ameaça intimidatória. “Chantagem”, na palavra de um dos parlamentares indignados. O que o ainda governador do Distrito Federal fez foi ameaçar contar que o dinheiro do Mensalão Candango irrigou outras campanhas políticas pelo país. Estaria se referindo à de Gilberto Kassab, por suposição.

Não se assuste se a decisão da executiva do partido for a de conceder a Arruda mais oito dias de prazo para apresentar explicações satisfatórias. Formalmente, é a única saída protelatória possível. A alternativa é a expulsão sumária.

Dela adviriam duas consequências: o partido sepultaria todas as chances de eleger um candidato seu no DF e ainda estaria exposto ao risco de se complicar nacionalmente — caso Arruda cumpra a promessa de jogar titica no ventilador.

Parafraseando os leitores do Blog do Noblat, é Arruda quem aparece recebendo a bolada. Mas é o DEM que está comendo o panetone que o diabo amassou.

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