Da Folha Online. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), classificou nesta quarta-feira de “safadeza” denúncia de que teria recebido R$ 410 mil da...

Da Folha Online.

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), classificou nesta quarta-feira de “safadeza” denúncia de que teria recebido R$ 410 mil da construtora Camargo Corrêa durante a campanha eleitoral de 1998 como doação não declarada. A denúncia foi publicada hoje pelo portal iG com base em planilha encontrada pela Polícia Federal durante a Operação Castelo de Areia na casa de Pietro Francesco Giavina Bianchi, diretor da construtora.

Temer negou ter recebido qualquer doação da construtora. “Acho uma indignidade. Se eu pudesse expressar meu grito fantástico, a minha indignação, minha revolta, com este fato, eu o faria. Eu levo na piada isso. É safadeza, sem dúvida alguma”, afirmou.

O deputado disse que nunca teve relações com a Camargo Corrêa. O papel em poder da PF, segundo Temer, está com a grafia incorreta do seu nome –o que mostra que não tinha proximidade com a construtora.

“Um papel apócrifo, uma simples folha datilografada que coloca nomes das mais variadas pessoas. A única contribuição que recebi é uma oficial, nesta última campanha, de R$ 50 mil. Eles tanto me conhecem que, no papel, tem o meu nome errado, para vocês terem ideia de como eu conheço a gente da Camargo Correia”, afirmou.

Temer disse que não poderia beneficiar a construtora se tivesse recebido doação não declarada dos empreiteiros. “Diz que tem o meu nome e mais 200 nomes. Eu não sei dizer. Qual a relação que existe entre a minha figura e a Camargo Correa? Qual é a obra que consegui para a Camargo Correia? Imagine, é um absurdo. É uma infâmia e precisamos acabar com isso. Não é possível jogar assim o nome das pessoas na rua porque encontrou papel com o nome de fulano. Daqui a pouco eu vou também fazer papéis escritos e descobrir por aí. De quem fez, é safadeza”, disse.

Segundo a reportagem do iG, a planilha de 54 folhas foi apreendida pela equipe da delegada Karina Murakami Souza na manhã do dia 25 de março, quando foi desencadeada a operação Castelo de Areia, que investiga a empreiteira pelos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, além de um suposto esquema de caixa dois para financiar partidos políticos.

Denúncia

Reportagem publicada hoje pela Folha afirma que relação de políticos suspeitos de terem recebido propina da empreiteira Camargo Corrêa já ultrapassa 200 nomes.

Segundo a reportagem, estão na lista deputados federais, secretários municipais e conselheiros e ministros de Tribunais de Contas.

Como os supostos envolvidos gozam de foro privilegiado e não podem ser investigados por procuradores nem julgados pela primeira instância da Justiça, a listagem será encaminhada ao STF (Supremo Tribunal Federal), ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e aos tribunais regionais federais, instâncias que têm poder de investigar políticos que ocupam cargo eletivo.

A Folha informa que, na denúncia, a procuradora Karen Louise Jeanette Kahn diz que a Camargo Corrêa pagou cerca de R$ 4 milhões em propina para conseguir vencer duas licitações e para mudar a legislação sobre uma área no município de Caieiras, na Grande São Paulo, no qual a construtora fez um empreendimento imobiliário.

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