Márcio Falcão, da Folha Online. Após quase quatro horas ocupando o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal, os manifestantes aceitaram deixar o local....

Márcio Falcão, da Folha Online.

Após quase quatro horas ocupando o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal, os manifestantes aceitaram deixar o local. Eles prometem ficar nas galerias da Casa, que é de livre acesso.

A desocupação foi provocada pela promessa de cinco deputados distritais de abrirem a sessão para a leitura do requerimento que pede a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o suposto esquema de pagamento de propina do governador José Roberto Arruda (DEM) a parlamentares da base aliada.

A CPI da Corrupção, como está sendo chamada a investigação, no entanto, só será instalada depois que os partidos políticos indicarem seus representantes. A comissão será formada por cinco parlamentares.

O pedido para criação da comissão de inquérito foi assinado por todos 24 deputados, mesmo com dez distritais suspeitos de envolvimento no suposto esquema de desvio de recursos públicos.

Apesar de a Câmara ter decidido criar uma CPI, parlamentares avaliam que os efeitos para os distritais que são citados no inquérito que apura o suposto esquema de corrupção devem ser mínimos. Ficou definido que o foco das investigações será as irregularidades no GDF (Governo do Distrito Federal).

Aparecem no inquérito: o deputado Leonardo Prudente (DEM), que se afastou da presidência por causa da denúncia, Júnior Brunelli (PSC), Eurides Britto (PMDB), Benício Tavares (PMDB), Rogério Ulysses (PSB), Roney Nemer (PMDB), Benedito Domingos (PP), e os suplentes Berinaldo Pontes (PP), e Pedro do Ovo (PRP). A Mesa Diretora decidiu abrir processo por quebra de decoro parlamentar contra todos.

Ocupação

No início do movimento, pelo menos 150 pessoas ocuparam o plenário. Munidos de faixa, usando nariz de palhaços, carregando um caixão com um boneco com as feições de Arruda e trajando a faixa de governador, os manifestantes cobraram a saída do democrata e de seu vice, Paulo Octávio. Eles quebram a porta de acesso ao plenário e também um detector de metais.

Foi registrada a agressão a um servidor que acabou pisoteado pelo grupo. No plenário, eles ainda picharam os vidros e marcaram com o estilete as mesas dos deputados. Segundo o vice-presidente do PSOL no DF, Pedro Del Castro, a invasão não foi programada e só começou porque os estudantes foram barrados e impedidos de acompanhar a entrega do pedido de impeachment contra o governador.

“Foi uma ação de momento. Isso nada mais é do que o resultado da raiva e da indignação do povo. Estamos inconformados com essa roubalheira generalizada. Agora, esse movimento é legitimo porque aqui é a casa do povo”, afirmou.

O presidente em exercício da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Cabo Patrício (PT), não negociou com os manifestantes, mas determinou que a Polícia da Casa abra inquérito para apurar os danos causados pela ocupação do plenário.

Em nota divulgada nesta tarde, Cabo Patrício afirma que foram cometidos “excessos que causaram danos materiais e lesões corporais contra um segurança da Câmara Legislativa”. Segundo o petista, “serão adotadas ações contra os responsáveis no sentido de ressarcir ao Erário do Distrito Federal os prejuízos causados. O Poder Legislativo, como a casa do povo, continua aberto para receber manifestações de quaisquer setores da sociedade”, afirmou.

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