RUBENS VALENTE e SILVIO NAVARRO A Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, que investiga o mensalão do DEM, interceptou um pacote de Sedex com...

RUBENS VALENTE e SILVIO NAVARRO

A Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, que investiga o mensalão do DEM, interceptou um pacote de Sedex com dinheiro que, segundo o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, foi enviado por uma empresa de informática para chegar “ao governador do DF [José Roberto Arruda] e demais pessoas”.
A quantia dentro do Sedex é estimada pelo próprio Barbosa em R$ 63.310. Seu depoimento não deixa claro como ele soube do valor e sua divisão.
A primeira perícia no pacote, ainda lacrado, foi feita com ajuda de raio-X, pelo Instituto Nacional de Criminalística da PF, e indicou que de fato o conteúdo é dinheiro vivo. O delegado da PF responsável pelo caso pediu aos peritos que localizem possíveis impressões digitais.
“As imagens obtidas mostram objetos retangulares com formato compatível com cédulas monetárias, que aparentam estar agrupadas em maços envoltos com elástico. Pode-se perceber alguns dos elementos presentes em notas de R$ 50: o valor e a marca d’água”, diz o relatório do INC.
A história do pacote começou na manhã do dia 13 de outubro passado, segundo o depoimento prestado à PF por Barbosa, 58. Ele disse que o encontrou ao chegar para trabalhar no seu gabinete na Secretaria de Relações Institucionais no governo do DF -da qual foi exonerado na semana passada, após ser revelado que ele gravou entregas de dinheiro e conversas com o governador, deputados e empresários.
Sobre o pacote, Barbosa preencheu uma folha de papel com nomes, números e percentuais, e anotou: “CTIS mandou entregar na secretaria (recepção) como Sedex”. Pela divisão, caberiam “25.324” ao governador Arruda (ou 40% do total) e “18.993” para o vice-governador, identificado pelas iniciais “P.O.”, de Paulo Octávio. O restante seria dividido entre dois outros integrantes do governo.
À PF Barbosa reafirmou a suposta origem do dinheiro: “Foi informado por sua secretária de que tal envelope havia sido deixado mais cedo por uma pessoa da CTIS”. Disse que então resolveu telefonar para a promotora de Justiça do DF Alessandra Queiroga, a quem conhecia por conta de investigações anteriores conduzidas pelo Ministério Público. Ela levou o pacote para a Promotoria e chamou a PF para apreendê-lo, em sua sala, ainda lacrado.
Citada por Barbosa, a CTIS é uma das principais empresas de tecnologia de informação do país. Segundo dados fornecidos pela empresa, ela faturou, em 2008, R$ 457 milhões em 189 contratos e, em maio, projetava para 2009 um faturamento de R$ 609 milhões. Mantém contratos com a Secretaria de Fazenda do DF, a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília), o governo de São Paulo, órgãos da União e empresas privadas.
A CTIS doou R$ 250 mil para a vitoriosa campanha de Arruda, em 2006, e mais R$ 520 mil para candidatos diversos, incluindo a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com R$ 200 mil.
Em 2008, a CTIS contratou como seu “diretor de vendas [ao] governo” Luiz Fernando Wellisch, que, até o final de 2007, era o secretário de Finanças do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

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Em 2009, a CTIS foi alvo de outra operação da PF, a Mainframe, que teve por base investigação da SDE (Secretaria de Direito Econômico) do Ministério da Justiça acerca de cartel e fraudes em licitações supostamente cometidos por quatro empresas de informática do DF -o inquérito segue aberto.

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