Cassio Zirpoli, do Diário de Pernambuco   Diario traz à tona documentos da Justiça Federal que encerraram a polêmica sobre o Brasileirão de 1987...

Cassio Zirpoli, do Diário de Pernambuco

 

Diario traz à tona documentos da Justiça Federal que encerraram a polêmica sobre o Brasileirão de 1987 e revela bastidores até hoje inéditos da histórica conquista do Sport

O grito de hexacampeão ecoou forte, ontem, num Maracanã em êxtase. Mais de 80 mil rubro-negros vibraram com o título brasileiro do Flamengo após 17 anos. Grande parte da mídia do Sudeste repercutiu a merecida conquista carioca com o prefixo ‘hexa’. Um termo que ainda não cabe ao Fla, pois contabiliza 1987, glória com as mesmas cores, mas que pertence de forma definitiva ao Sport.

Presidente do Leão naquele ano, Homero Lacerda, se tornou o principal defensor da conquista, amparada pela Justiça. “O Flamengo merece o título de 2009, mas não é hexa. É preciso dar um basta. O povo brasileiro foi enganado esse tempo todo”, disse Lacerda, que na última sexta chegou a divulgar uma nota de repúdio ao comportamento de parte da imprensa.

Essa história já foi contada, recontada, esmiuçada, investigada etc. E nunca se chegou a uma explicação diferente daquela já famosa sentença transitada em julgado. A CBF abriu mão de organizar o Brasileiro de 87 devido a uma enorme crise financeira. Foi a senha para os principais clubes do país criarem o Clube dos 13, com os times de maior torcida na época. O C-13 convidou mais três equipes (Santa Cruz, Goiás e Coritiba), criando, em julho, a enxuta Copa União, com apenas 16 times.

Pressionada pelos demais clubes, que se sentiram alijados da elite (a Série A de 1986 teve 48 participantes), a CBF voltou a atrás e retomou as rédeas da organização do Brasileirão. Como a Copa União já tinha firmado contratos vultosos de patrocínios com a Coca-Cola, a Varig e a Rede Globo, a entidade não mexeu na tabela (para não aumentar ainda mais o conflito com a liga recém-criada) e elaborou outro grupo, com mais 16 equipes, encaixando na disputa os 32 times com direito adquirido para a 1ª divisão de 1987. Um respeito à questão técnica. Entre esses clubes estava o Guarani, vice-campeão de 1986.

A Copa União foi chamada de Módulo Verde, enquanto o novo grupo virou o Amarelo. O regulamento, com o cruzamento dos módulos no final, foi firmado com a assinatura do Clubedos 13, representado legalmente por Eurico Miranda, vice do Vasco na época. Em setembro, após muitas reuniões e conchavos, finalmente houve o ponta-pé inicial do mais polêmico campeonato da história do país. Após os duelos no gramado, uma sucessão de fatos que causou a indignação da sociedade pernambucana. O Diario chegou a publicar: “A desobediência civil toma conta desse país”. Não parece, mas isso foi há 22 anos.

Foram mais de 11 anos defendendo o Sport nos tribunais. Uma luta contra dois grandes clubes do país. Contra a própria Confederação Brasileira de Futebol. Mais. Contra a União. Um trabalho árduo, com centenas de folhas de papel com ações, liminares, recursos, petições# Tudo em prol do direito legal do Leão de ser o único campeão brasileiro de 1987. Um trabalho de dois advogados.

José Henrique Wanderley Filho, hoje com 63 anos, e Renato Rocha, 60, que participaram da causa desde o início, em 10 de janeiro de 1988, até a confirmação da sentença transitado em julgado, em 16 de abril de 1999. Agora, imagine esse trabalho todo favorecendo logo maior rival. Foi o que aconteceu. Os dois advogados, sócios do ADC Advogados, são nada menos que conselheiros do Náutico. Já eram na época, aliás.

Contratados por Sport, Náutico e FPF no início do Brasileiro para vetar o televisionamento do Módulo Verde no mesmo horário dos jogos dos pernambucanos (algo bem incomum na época), eles acabaram continuando com o Sport após a eliminação alvirrubra no Módulo Amarelo. “A confiança que a gente tinha para ganhar o caso era porque o direito do cliente (Sport) era muito bom. Passamos por momentos de pressão, mas conseguimos”, diz José Wanderley. E pelo Sport, quase tudo.

O que dizer, por exemplo, da viagem de Renato até o Rio de Janeiro para tentar cassar uma liminardo Flamengo, em 1988? Os dirigentes do time carioca haviam conseguido uma liminar na Justiça Estadual do RJ para não jogar a partida contra o Sport, pelo quadrangular. Para manter a tabela, o advogado foi ao Rio acompanhado de um diretor do Sport. Lá, souberam que a juíza estava em Angra dos Reis, a 150km da Cidade Maravilhosa. Os dois tentaram seguir de carro, debaixo de muita chuva, mas o início da BR-101 estava interditado. A solução? Surpreendente.

“Ligamos para Homero e contamos a situação. Ele disse para alugar um helicóptero. Perguntei se era sério e ele disse de novo. Acabamos alugando um helicóptero e conseguimos chegar lá para a surpresa da juíza e do marido dela, que era flamenguista”, relembrou Renato Rocha, cujo filho é o atual vice-presidente Jurídico do Timbu, Ivan Rocha. O Sport cassou a liminar, o Flamengo não apareceu em 27 de janeiro e perdeu por WO. Aquela sequência de vitórias em favor do Sport acabou trazendo alguns problemas para os advogados com alguns torcedores do Náutico. “Quase fui agredido uma vez, no jogo Náutico x Paulistano, em Paulista, logo depois daquela confusão. Estava com meu filho, um jovem na época, e um torcedor me chamou de traidor por ter ‘dado’ o título de 87 ao Sport. Tentou me bater, mas foi contido”, disse Renato. 

Leia a íntegra da cobertura no site do Diário de Pernambuco clicando aqui.

 

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