Uma operação policial deflagrada simultaneamente em vários países levou à prisão de uma quadrilha internacional que o Blog vinha denunciando desde o dia 16...

Uma operação policial deflagrada simultaneamente em vários países levou à prisão de uma quadrilha internacional que o Blog vinha denunciando desde o dia 16 de Abril deste ano. A quadrilha, especializada em aplicar o chamado “golpe do emprego”, começou a atuar na República Dominicana, onde quatro brasileiros que a comandavam estabeleceram um escritório na cidade de São Francisco de Marcoris.

O interesse do Blog pela quadrilha foi despertado quando a Interpol colocou na chamada Dispersão Vermelha o nome de uma brasileira de apenas 22 de idade, acusada de fraude na República Dominicana, com mandado de captura expedido em todo o planeta.

Advogados da brasileira entraram com ação cautelar na Segunda Vara Cível de Curitiba e colocaram o Blog sob censura. Assim, este espaço ficou impedido de citar seu nome e veicular novas matérias, determinação que está sendo seguida. Mas os posts anteriores ainda podem ser lidos nos nossos arquivos. Basta clicar aqui, aqui e aqui .

Essa brasileira não está entre os presos na operação policial deflagrada anteontem. Mas o marido dela, AlexsandreFernandes, foi indicado como chefe da organização.

Se você quiser ler a matéria especial produzida pelo Blog, saber como a quadrilha atuava e ver como foi feita a apuração, clique aqui .

A série Especial Foragidos pode ser acessada aqui, aqui, aqui, aqui e aqui . Vale a pena ler.

Transcrevo, abaixo, o posto da Folha Online noticiando as prisões.

 

Quadrilha cobrava até US$ 15 mil por emprego nos Estados Unidos, diz MP-SP

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Autoridades brasileiras e norte-americanas prenderam onze pessoas nesta segunda-feira (7) acusadas de pertencer a uma quadrilha internacional que fraudava o sistema de concessão de vistos para trabalho temporário nos EUA desde 2002. Pelo menos 4.500 brasileiros teriam sido vítimas do esquema de fraude.

A Operação Anarquia prendeu onze pessoas em quatro Estados brasileiros: quatro em São Paulo, duas em Minas Gerais (Uberlândia), quatro no Paraná (Curitiba) e uma em Santa Catarina (Palhoça). Outras sete estão foragidas.

Segundo o consulado dos EUA, a quadrilha prometia colocação no mercado de trabalho americano mediante o pagamento de até US$ 15 mil. A estimativa é de que o grupo tenha arrecadado R$ 90 milhões em sete anos, em um dos maiores casos de fraude de vistos da história dos EUA. O número de vítimas pode chegar a 9.000, segundo estimativa do Ministério Público de São Paulo.

“O sucesso desta operação foi possível graças ao trabalho integrado com as autoridades norte-americanas, para quem o MP de São Paulo forneceu centenas de documentos que servirão como prova para a Justiça norte-americana”, afirmou a promotora de Justiça Aline Jurca Zavaglia Vicente Alves, do Gaeco – Núcleo Guarulhos, que coordenou as investigações e ofereceu a denúncia à Justiça.

O esquema
De acordo com o Ministério Público, a quadrilha trocava constantemente o nome das empresas utilizadas para o golpe, assim como as sedes das empresas. O grupo tinha ramificações em vários Estados norte-americanos, entre eles Flórida, Oklahoma, Georgia e Maryland.

As empresas da quadrilha atuariam como intermediários de mão-de-obra para empresas dos Estados Unidos. Para cada vaga no mercado norte-americano, a quadrilha incrementava vagas para encaminhamento ao departamento de imigração dos EUA e vendia um número de contratos maior, com oferta de vagas que sabia não existir. A maior parte dos que tinham pagado pelo visto, nem chegava a embarcar porque o pedido era negado. Dos que chegavam aos Estados Unidos, uma minoria conseguia efetivamente o trabalho.

Ainda conforme o MP, muitas das pessoas enganadas, sem dinheiro e sem o trabalho prometido, permaneciam nos Estados Unidos como imigrantes ilegais e ainda eram ameaçados de delação à imigração pela quadrilha.

Os presos
Segundo o MP-SP, a apuração começou em 2003, quando o setor antifraude do Consulado dos EUA em São Paulo detectou irregularidades. Em 2008, o consulado acionou o MP, que passou a coordenar a investigação. No mesmo ano, foi criada uma força-tarefa também com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Poder Judiciário, Consulado dos EUA, Receita Federal e Secretaria da Fazenda.

Com base nas informações captadas por um agente infiltrado no esquema, além da quebra de sigilos bancário e fiscal, de interceptações telefônicas e de cooperação jurídica internacional, o MP-SP ofereceu denúncia contra os acusados, que agora já são réus. Por isso, foram decretadas as prisões preventivas e expedidos de mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens.

Márcio de Castro Ferreira, Alexandre Fernandes e Valquíria Dozi Batalha são apontados como líderes da quadrilha. Os dois primeiros foram presos. Valquíria está nos Estados Unidos, junto com a irmã Valéria, que também fazia parte da quadrilha. As duas estão foragidas.

Também foram presos Gregório Moreira dos Santos, Abimael Fernandes, Wiliam da Silva Santos, Anderson Marcelo Gomes, José Gilmar Rios Carneiro, Eliot Lee Ferreira, Márcia de Morais, Samantha Isabelli Scafi e Edmir Torres de Oliveira. Com Anderson Gomes foi encontrada uma pistola 9 mm, de uso restrito do Exército.

Estão foragidos, Antonio Elso Clem, nos Estados Unidos, Rodrigo DozziCalza, Carlos Roberto Silveira e Sean Michael Michele.

Os detidos são acusados de formação de quadrilha e estelionato. Há ainda indícios de lavagem de dinheiro. No Mato Grosso, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão.

O crime também foi detectado em países como Rússia, República Dominicana, Filipinas, Romênia e Emirados Árabes, mas a fraude nesses países não foi alvo desta investigação.

 

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