Gianfranco Betting Do Jetsite A tragédia do voo 447 traz à tona um problema detectado em aeronaves da família A330, ocorrido há menos de...

Gianfranco Betting

Do Jetsite

A tragédia do voo 447 traz à tona um problema detectado em aeronaves da família A330, ocorrido há menos de um ano: uma série de falhas sérias no sistema ADIRU (Air Data Inertial Reference Unit). Ainda é muito cedo para qualquer comentário que não seja meramente especulativo, mas trata-se de um fato que pode estar na raiz da causa do acidente do voo 447. 

Os A330 e A340 são equipados com três unidades ADIRU independentes e redundantes, que fornecem aos sistemas eletrônicos os parâmetros básicos que monitoram dados como atitude, proas, velocidades e altitudes.

O sistema já apresentou falhas em dois eventos envolvendo jatos A330, ambos das operadoras australianas Qantas e Jetstar, esta afiliada da primeira. Os dois ocorreram no segundo semestre do ano passado, justamente em altitude de cruzeiro, durante mau tempo, quase provocando desastres fatais. 

No primeiro, ocorrido em outubro, um A330-300 com 313 ocupantes voava de Cingapura para a Austrália. Uma hora após a partida, o ADIRU 1 passou a indicar parâmetros errôneos, mostrando que o avião estava em um ângulo de voo diferente do realmente voado. A tripulação pensou que o problema se resolveria se desligasse o ADIRU 1 e acionasse o sistema de back-up, que desconsidera a leitura discrepante dentre as três unidades e valida as duas que apresentam a mesma leitura. No entanto, mesmo com o ADIRU 1 desligado, a falta de sincronia entre os três sistemas fez com que o sistema central da aeronave continuasse interpretando dados equivocados. 

Ao invés de considerar os dados dos ADIRUs 2 e 3 como sendo os corretos, o sistema desconsiderou os dados das unidades que funcionavam normalmente e validou como corretos os parâmetros do ADIRU 1, justamente o que apresentava leitura espúria. A informação, repassada automaticamente pelos sistemas eletrônicos de comando, fez com que a aeronave mergulhasse bruscamente. A muito custo, e com grande perícia, o controle foi retomado pelos pilotos. Ainda assim, o sistema voltou a desconsiderar os ADIRUs 2 e 3 e a aeronave mergulhou por uma segunda vez. Novamente, os tripulantes retomaram o controle, declararam emergência e conseguiram pousar. Trinta e seis ocupantes ficaram feridos, 12 deles com gravidade.

 

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