Hugo Marques e Mino Pedrosa, da Isto É   A subprocuradora da República Raquel Dodge já recebeu informações de que, a exemplo do ex-secretário...

Hugo Marques e Mino Pedrosa, da Isto É

 

A subprocuradora da República Raquel Dodge já recebeu informações de que, a exemplo do ex-secretário Durval Barbosa, existe mais gente disposta a fazer delação premiada contra Arruda. Seriam empresários que se dizem extorquidos pelo governador. Em outra frente de investigação, a Polícia Federal encontrou indícios de que o esquema de Brasília possa ter ramificações em outros Estados. Em São Paulo, a polícia vai investigar as ações da empresa brasiliense CTIS, de informática, que tem contratos com a prefeitura e com o governo estadual e teria, segundo agentes ouvidos por ISTOÉ, “trocado posição” com a paulista Uni Repro, especializada em filmagens de documentos, que tem contratos com o governo do DF. Ainda de acordo com a PF, há a suspeita de que o grupo de Arruda pode ter alimentado o DEM carioca e o PSDB mineiro.

Com a Câmara sobre sua tutela, Arruda, nos últimos dias, atua para esconder seu enriquecimento meteórico. Eliana Pedrosa pode contar toda essa história. Como secretária de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, ela assinou contratos com a empresa Futura Construções e Incorporações. O diretor da empresa é Severo Araújo Dias. Durval Barbosa afirma que Severo é o laranja de Arruda na compra de um haras. O imperador do cerrado comprou por R$ 2,6 milhões o cinematográfico Haras Sparta, uma paradisíaca área próxima de Brasília. A propriedade tem quatro casas, duas baias, galpão para feno, campo de futebol e um pequeno lago. Com a transferência da posse para Arruda, estão sendo construídas casas para “seguranças”, segundo os funcionários. “Fiquei sabendo que o Arruda comprou no nome do Severo”, diz o corretor João do Carmo Vieira, o “Netto”, que anunciou o haras em seu site.

A reportagem de ISTOÉ visitou o haras. “O governador Arruda veio aqui em agosto, no aniversário do filho do Severo”, conta a funcionária Eudenice Silva, que trabalha no Sparta desde o início do ano. “O governador estava de calça jeans e de camisa, ele trouxe a mulher e a filha”. A produtora rural Raelma Alves Ribeiro, que é dona de um boxe no Feirão do Produtor, próximo ao haras, diz que Arruda passa por lá para comprar queijos e doces, todas as vezes que vai visitar seus cavalos. O laranja Severo, há duas semanas, comprou de Raelma R$ 4 mil em mobília para a sede principal. “O Severo me disse o seguinte: ‘Você tem que conhecer o meu anjo da guarda, o governador Arruda’”, diz Raelma. “Depois, o Severo tirou uma foto do governador do bolso e quase beijou a imagem.” Como publicou ISTOÉ, a ex-mulher de Arruda Mariane Vicentini confirma a compra do haras e ainda revela que seu filho, Artur, ganhou um cavalo puro-sangue do pai.

O governador Arruda declara um patrimônio total de R$ 1 milhão. Mas só as salas que comprou num dos edifícios mais nobres de Brasília valem R$ 1,66 milhão. A Receita Federal agora procura mapear todo o império de Arruda. Mas o governador, além das denúncias por corrupção, corre o risco de ter o mesmo destino de Al Capone e ser enquadrado por sonegação fiscal.

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