Silêncio e cumplicidade Os apresentadores do Cadeia Nele, de tom policialesco mas um programa líder de audiência em todo Mato Grosso, gostam de...

 

Silêncio e cumplicidade

Os apresentadores do Cadeia Nele, de tom policialesco mas um programa líder de audiência em todo Mato Grosso, gostam de se fazer de “machos”, distribuindo gritos e patadas contra adversários escolhidos a dedo. Para os dirigentes da Assembléia, todavia, geralmente são só afagos. Entendo que a nota do dia 20, reproduzida acima, não permite outra interpretação: A Gazeta, atraiçoando as suas responsabilidades, não dá importância a informar e esclarecer os cidadãos e as cidadãs de Mato Grosso e de todo o Brasil sobre as irregularidades que o Ministério Público Estadual já apontou que vêm sendo praticadas pela Mesa da Assembléia, desde que lá se incrustou a atual estrutura de poder, e que seria a responsável pelo desvio de recursos que atingiriam o impressionante montante de 400 milhões de reais. 400 milhões de reais! Isso em uma conjuntura em que a moralização do parlamento entusiasma toda a Nação, a partir dos mergulhos investigativos da imprensa sobre os bastidores da Câmara Federal, do Senado e, aqui em Cuiabá, da Câmara Municipal, onde já tivemos, neste ano de 2009, dois vereadores cassados por seus próprios pares.

Só que A Gazeta além de se omitir, não se vexa de defender, abertamente, que tratar desse caso, investigar as denúncias de corrupção que pesam sobre a Assembléia, hoje, é requentar matéria, querendo fazer acreditar que o esclarecimento de todo este assunto não interessaria à maioria de nosso povo. Ou seja, defende que se mantenha o silêncio e a cumplicidade que se observa por parte da unanimidade dos deputados estaduais de Mato Grosso com relação ao seu líder, só questionado pelo Ministério Público e jamais posto em dúvida no plenário da Assembléia ou na cobertura cotidiana da grande mídia mato-grossense.

“As pedras clamarão”

Que vergonha, que ridículo, quanta subserviência, ouso dizer eu! Será que A Gazeta não fala por que o seu titular, o empresário João Dorileo Leal, teve seu nome também arrolado em alguns dos processos resultantes da Operação Arca de Nóe, tal e qual o deputado estadual José Riva? Bem, isso só João Dorileo Leal pode responder. Tenho certeza de que o Observatório da Imprensa estará aberto a suas explicações.

O que espanta é que A Gazeta, além da própria omissão, ainda se ache no direito de criticar a presença, em Mato Grosso, do repórter Eduardo Faustini, do Fantástico, que veio a Mato Grosso investigar fatos diante dos quais a afiliada da Globo, no Estado, a TV Centro América, também se omite. A Gazeta não fala, esconde os fatos de seus leitores e ainda quer calar a boca alheia, fazer piadinha com quem busca esclarecer a população.

Quando comentei este comportamento de A Gazeta com minha mãe, dona Zuzu, de 83 anos, quando tentei colocá-la a par dos desafios que enfrentamos nós, blogueiros, nesta terra de tanta pujança econômica e de tanta corrupção, ela, que já não tem tanta disposição de acompanhar as patifarias do mundo, só me recordou um dos ensinamentos do Cristo, que ela preserva muito: “Se algum dos meus se calar, as pedras clamarão” (Lucas 19, versículo 40).

Enock Cavalcanti, jornalista, é titular do blog www.paginadoe.com.br

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