“Aqueles que somente por fortuna se tornam de privados em príncipes, com pouca fadiga assim se transformam, mas só com muito esforço assim se...

“Aqueles que somente por fortuna se tornam de privados em príncipes, com pouca fadiga assim se transformam, mas só com muito esforço assim se mantêm: não encontram nenhuma dificuldade pelo caminho porque atingem o posto a vôo; mas toda sorte de dificuldades nasce depois que aí estão”.

Nicolau Maquiavel

 

Que estranho é esse que se joga em Brasília ? O jogo do Poder ou o do crime organizado ?

Quem se dá ao trabalho de ler o inquérito da Operação Caixa de Pandora vai encontrar na terminologia jurídica — ou no jargão policial — a explicação formal. Trata-se do desbaratar de uma quadrilha que tomou o Poder para amealhar uma fortuna com a corrupção ativa e passiva e o paculato.

A “organização criminosa”, pelo que asseveram o Ministério Público e a Polícia Federal, tinha como arma a caneta e como chefe um governador a quem cabia definir o destino de R$ 15 bilhões por ano — mais de metade composta por recursos federais que um fundo constitucional destina ao Distrito Federal.

Quando as imagens repugnantes da distribuição da propina vieram à tona, uma parte dos analistas passou a discorrer sobre o “jogo politico” que transcorria nos bastidores com o objetivo claro de dar sustentação à “quadrilha” alojada na administração do DF.

Agora, parte da imprensa começa a descrever esse jogo como se fosse apenas  uma articulação de bastidores da engenharia política. E não é. O que está ocorrendo é a revelação das dimensões do comprometimento de todas as instituições, que foram indelevelmente contaminadas pela dinheirama no panetonegate.

As férias precoces dos tais deputados distritais representam mais uma tentativa de garantir a impunidade aos implicados,  aos capos e aos operadores dessa enorme quadrilha. É a instituição que fecha suas próprias portas para não fazer aquilo que deve, em benefício de comparsas que a transformaram em uma grande irmandade mafiosa.

É ingenuidade demais confundir lealdade política com acumpliciamento criminoso. Não é por vinculação política ao ainda governador Arruda que age a deputança governista dessa ridícula redoma da impunidade chamada Câmara Legislativa. É por uma intrínseca associação de interesses pela delinquência recíproca.

Não é difícil avistar as consequências que a ação da organização criminosa traz para a vida dos incautos que lhe dão suporte eleitoral. Basta ir ao Hospital do Gama, ao PS do HRAN ou do Hospital de Base, visitar as escolas públicas de Brasília. Ou percorrer algumas das “duas mil obras”, quase todas paradas.

Aí está acomprovação cabal de que quem rouba faz, mas faz muito menos do que poderia se não tivesse troubado.

É pelo que está paralisado nas obras, pelo que falta de remédios e equipamentos nos hospitais, pelos frangalhos das nossas escolas que age essa quadrilha. E é por isso também , pelo jogo do crime organizado, que se movem os meliantes abrigados no cerne da máquina pública deste grotão chamado Distrito Federal.

Fica então a pergunta.Que jogo estranho é esse que se joga em Brasília ? É o crime organizado jogando o jogo da política ou são os políticos que se apropriaram do know-how do crime organizado ?

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