RUBENS VALENTEO executivo Antônio Bruno Di Giovanni Basso afirmou, em e-mails enviados a interlocutores em janeiro passado, que empresários do setor de informática do...

RUBENS VALENTE

O executivo Antônio Bruno Di Giovanni Basso afirmou, em e-mails enviados a interlocutores em janeiro passado, que empresários do setor de informática do Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda (sem partido) e seu vice, Paulo Octávio (DEM), combinaram, durante a campanha eleitoral de 2006, uma “divisão” dos contratos públicos, caso Arruda vencesse a disputa.

Segundo os e-mails, em retribuição os empresários deveriam prestar apoio financeiro “informal” à campanha de Arruda. As reuniões, segundo os e-mails, teriam ocorrido no hotel Blue Tree e na empresa de informática TBA, em Brasília.

As mensagens eletrônicas foram transcritas pela empresária Maria Cristina Boner Léo, dona do Grupo TBA, numa ação judicial de cobrança ajuizada na 5ª Vara Cível de Barueri (Grande SP). Ela quer indenização de R$ 42 milhões de seu ex-marido, Basso, que, por sua vez, lhe cobra pagamentos de R$ 32 milhões.

O casal rompeu em 2007. Desde então, trava uma intensa batalha judicial em torno da partilha de bens e direitos que resultou, em janeiro, na detenção de Basso pela Polícia Civil do DF sob a alegação de que ele ameaçou e tentou “extorquir” dinheiro da empresária -a Justiça liberou-o horas depois.

Maria Cristina descreveu os e-mails no processo com o intuito de demonstrar que Basso teria descumprido um acordo de confidencialidade, assinado em 2008, pelo qual deveria se abster de fazer comentários sobre sua passagem pela TBA, onde trabalhou, como alto executivo e braço direito de Maria Cristina, desde a década de 90.

Desde janeiro, Basso, em e-mails também apresentados por Maria Cristina à Justiça, tem ameaçado revelar à imprensa e à Receita Federal informações comprometedoras sobre atividades da TBA e seu relacionamento com políticos. No final do ano passado, ele teria chamado um auditor da Receita Federal para denunciar fraudes com notas fiscais.

No dia 10, Basso protocolou na Câmara Distrital do DF um pedido de impeachment de Arruda e Octávio. Ao final do pedido, escreveu, à mão: “Encontro-me à disposição dos órgãos internos da CLDF que irão proceder eventuais investigações, diligências, para depor com as eventuais informações que possa ter e que sejam de valia para o presente processo”.

No e-mail que ele enviou no final de janeiro a Maria Cristina, a quatro executivos do Grupo TBA e ao jornalista Claudio Humberto, Basso escreveu que o acordo supostamente firmado em 2006 envolvia, além de sua ex-mulher, executivos das empresas Poliedro, Politec e CTIS -as três já foram citadas no mensalão do DEM, escândalo que estourou depois que surgiram vídeos em que Arruda e aliados manipulam dinheiro.

Basso escreveu que a divisão deu resultado pelo menos no caso da TBA -sobre as outras empresas, disse não saber.
“A fatia que sempre coube à TBA no ajuste que foi feito nas reuniões com os então candidatos foi o serviço hoje chamado “Na Hora”, dada a experiência da empresa como concessionária do PoupaTempo paulista”, escreveu Basso, referindo-se a um programa de atendimento on-line aos cidadãos, contrato obtido pelo Grupo TBA em 2008.

Levantamento feito pela liderança do PT na Câmara Distrital no sistema oficial de acompanhamento de gastos demonstra que, desde a posse de Arruda, os contratos da TBA atingiram R$ 35 milhões.

Basso descreve uma “operação”, discutida no Blue Tree de Brasília, que “buscava “dividir” o mercado de TI do GDF entre as cinco grandes empresas, obviamente em troca de apoio financeiro para a campanha. Informal, por óbvio”.
“Os empresários custaram a entender a proposta do governo para a área de TI [tecnologia de informação] em Brasília e fazer parte do grupo de apoio”, acrescentou Basso.

Barbosa

A TBA aparece relacionada a um ponto importante da Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal -o momento em que Arruda apanha um pacote de R$ 50 mil, o que foi filmado pelo ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa.

Em depoimento prestado ao Ministério Público, em setembro, Barbosa disse que o dinheiro veio de Maria Cristina.

Na mesma linha dos e-mails de Basso (que foram enviados muitos meses antes da eclosão do escândalo no governo do DF), Barbosa disse que Arruda e Maria Cristina haviam feito um acordo em 2006. Ela teria feito uma doação de R$ 1 milhão. Para “justificar contabilmente a saída deste dinheiro de sua conta”, segundo Barbosa, Maria Cristina fez a doação “via Grupo Comunidade de Comunicação (“Jornal da Comunidade” e “O Coletivo’)”. Em 2006, a TBA registrou na Justiça Eleitoral doação de R$ 200 mil ao diretório nacional do DEM.

Em outro vídeo, Maria Cristina aparece cumprimentando Barbosa. Segundo o depoimento dele ao Ministério Público, nas imagens ele “aparece informando Cristina sobre a assinatura de um contrato emergencial [da TBA] com a Codeplan [órgão do governo] a pedido de Arruda”, que seria uma contrapartida do governador aos empresários do ramo em troca do apoio na campanha.

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